E o tal de meta-capitalismo? Crítica a um conceito olaviano.

Arthur Rizzi*

Os seguidores de Olavo de Carvalho, além do próprio, usam sempre o termo meta-capitalismo como forma de descrever um determinado fenômeno contemporâneo de grandes capitalistas que pela sua posição enquanto membros da alta burguesia deveriam em tese apoiar posições à direita no espectro político e, entretanto, apoiam movimentos de esquerda e de extrema-esquerda que, em teoria, deveriam ser contrários aos seus interesses. Qual será a profundidade e o realismo desse conceito? Veremos abaixo.

Definindo:

Segundo Olavo de Carvalho neste vídeo o meta-capitalismo se configura como sendo o capitalista que tornou-se tão extraordinariamente rico com a economia de mercado ao ponto de que em determinado momento, o mercado e sua instabilidade tornam-se uma ameaça a ele e a sua família. Isto é, o meta-capitalista para consolidar seu legado, coopta o Estado para impor regulações e fazer intervenções que dificultem a vida de potenciais ameaças a si e aos seus.

Ora, para Olavo é sabido que o dinheiro não é poder, mas sim um meio de se conseguir poder. Contudo, em dado momento, o volume de dinheiro que se adquire é tamanho que ele passa a ser poder, visto que a economia ao depender muito dos too big to fail, coloca nas mãos dessas pessoas multibilionárias, quer elas queiram ou não, uma responsabilidade enorme sobre a vida delas, de seus parentes e de milhares de outras pessoas as quais elas nem mesmo conhecem.

Em outras palavras, para Olavo, o meta-capitalista é alguém que vive num sistema aparte entre o mercado e o poder do Estado, estando imune aos choques de mercado.

Acertos e erros do conceito:

O conceito parte de um insight muito acertado, o de que a partir de certo momento, o dinheiro deixa de ser um mero meio de obter poder, mas torna-se de facto poder. O índice de GINI pode ilustrar isso muito bem. Segundo a medição da desigualdade de renda do índice, os valores oscilam entre 0 e 1, sendo zero o socialismo utópico onde todos têm exatamente a mesma renda, e 1 a tirania distópica onde um único indivíduo ou família tem a renda de todo um país estando todos os demais na miséria. O índice assume esses extremos como referenciais para fins matemáticos, que embora logicamente possíveis, são muito difíceis de existirem na prática. Como se trata de referenciais aritméticos, sua exequibilidade na realidade é irrelevante, pois trata-se de um dado axiomático que a verdade matemática neles contida expressa. A realidade, já é prevista no índice, sempre se manifestará numa mistura desses dois estados, e nunca os estados puros.

Assim, num país extremamente igualitário, digamos a Alemanha – onde o GINI aponta na faixa de 0,39 – o impacto de um único homem muito rico torna-se menos relevante, pois como a própria sociedade tem meios de renda muito equitativos, o impacto do poder dele é reduzido.  Ou seja, na Alemanha 61% da renda está na própria sociedade. Dado que a renda é produto dos fatores de produção (capital e trabalho), e dado ainda que o capital é o fator onde os ganhos de produção são crescentes em escala, é pouco provável que em economias de mercado com baixa desigualdade, poucas pessoas detenham capital e haja apenas assalariados fora disso. Nessa sociedade muitos têm meios de empreender, se não como forma principal de renda, ao menos como uma complementação de renda part-time.

Um caso contrário seria a de um país muito desigual, digamos o Brasil, que na época do regime militar registrou 0,63 no índice de GINI. Como a renda estava majoritariamente concentrada, significa que o trabalho assalariado é a regra sendo o empreendimento próprio um complemento de renda quase sempre de baixíssima complexidade e baixíssima produtividade, na forma de subempregos quase todos informais. Neste cenário há enorme concentração do fator capital, e que os retornos de lucros fazem com que o poder de um único bilionário seja muito maior sobre essa sociedade do que sobre a alemã.

Assim, Olavo faz uma detecção correta que também foi feita por John Maynard Keynes, pelos ordoliberais de Freiburg como Walter Eucken, Wilhelm Röpke e Alfred Müller-Armack e também pelos distributistas como G.K. Chesterton, Hillaire Belloc, E.F. Schumacher, Christopher Ferrara e John Médaille e ainda por solidaristas como o Pe. Heinrich Pesch, SJ.

Entretanto, o conceito apresenta falhas, pois ele parte de constatações no mínimo duvidosas. Por exemplo, a ideia de que a economia de mercado desregulada é sempre pareto-eficiente. Isto é, em termos mais teológicos ou filosóficos, dizer que o mercado desregulado é pareto-eficiente significa dizer que em todo caso, no mercado desregulado a justiça distributiva e a justiça comutativa são sempre idênticas. O que quer dizer que não há porque questionar se uma troca voluntária sem um terceiro envolvido (digamos, o Estado) é justa. O mercado sempre proverá resultados perfeitamente equitativos.

Como a maioria dos economistas liberais sensatos (Misesianos, não estamos falando de vocês) já perceberam, isso não é exatamente verdade. E as provas empíricas disso são tão abundantes no meio acadêmico que somente uma turba religiosa de fanáticos (libertários) poderia insistir numa afirmação contrária. Não é que eu esteja me eximindo de oferecer estas provas aqui, mas sim o fato de que aceitar debater algumas verdades tão bem consolidadas significa dar ao erro uma dignidade imerecida, nesse caso a de hipótese respeitável quando elas são simplesmente erros crassos. E essa é uma das grandes sacadas dos Papas do Concílio Vaticano I, ao dizer que o erro não tem direitos eles não estão condenando a discussão sobre aspectos ainda não muito claros da modernidade, mas sim dizendo que algumas ideias serem apreciadas quando claramente erradas é dar a elas não apenas um direito a existência, mas um poder muito grande de subverter a ordem política. Imagine você que um físico do nível de um Michio Kaku decide debater seriamente com um terraplanista? Um leigo ou uma pessoa que está sendo introduzida na discussão científica pode ser levada a pensar que o terraplanismo é uma hipótese séria em discussão, mesmo quando existem uma infinidade de demonstrações em contrário (provas).

A consequência desse erro é dizer que toda intervenção do Estado corrompe o processo econômico e provoca desigualdades sociais, o que não é verdadeiro (e também abundam evidências disso) e parece que o próprio Olavo aceita, dado que no artigo “fórmula da minha composição ideológica” o mesmo argumenta no sentido de alguma intervenção do Estado.

“O Estado existe apenas para impedir que os concorrentes se comam vivos, para assegurar as condições logísticas da prática do liberalismo e para, last not least amparar in extremis quem não tenha a mínima condição de concorrer no mercado”.

Olavo com esse tipo de frase ganharia certamente o apoio de um Ludwig Erhard ou de um Walter Eucken. Então, fica pouco claro que tipo de regulação (porque regulações são necessárias para isso) e intervenção para Olavo são as que os meta-capitalistas almejam. Pois dado que não existe economia de mercado totalmente desregulada (como Ha-Joon Chang demonstrou), então precisaria que Olavo definisse que tipo intervenção governamental é a que os meta-capitalistas propugnam. A maioria delas visam a distribuição de renda, isto é, por meio de tributação e transferência de renda, permitir que as pessoas mais pobres tenham um esteio para melhorar sua vida. Isso dependendo do modo como é feito ajuda até mesmo a desconcentrar poder econômico de alguns desses meta-capitalistas. Então, é curioso porque alguns deles apoiam isso, como o próprio George Soros, não? Enfim, as razões aqui caberia a Olavo expor e eu sinceramente estaria muito interessado em descobrir.

Eu – uma síntese de ordoliberalismo, distributismo e desenvolvimentismo – acredito que a distribuição de renda enquanto permanece um elemento válido, ela é apenas em potência empreendedorismo das pessoas comuns, como eu e você caro leitor. Por isso estou cada vez mais convencido de que tanto os solidaristas como o Pe. Ávila ou os distributistas como Médaille têm razão, não basta justiça re-distributiva, é necessário justiça distributiva e isso significa de alguma forma favorecer a participação do fator trabalho nos lucros das grandes empresas (seja por sociedade ou por meios acionários), o estímulo ao cooperativismo onde possível e benéfico, o estímulo aos pequenos e médios empreendimentos e uma reforma agrária de caráter não confiscatório salvo em condições “extremas e extremamente extremas”. A redistribuição de renda, o salário mínimo e a CLT continuam válidos e merecem ser defendidos? Sem sombra de dúvidas. Mas são paliativos enquanto o homem comum tão defendido por Chesterton não é capaz de se suster majoritariamente pelo seu próprio esforço produtivo.

Há ainda um outro problema neste conceito e é típico de quem foi muito influenciado pela literatura da Escola Austríaca como Olavo ou os autores associados a esta escola. Quem chama a atenção para isso é Christopher Ferrara em “The Church and the libertarian“, onde o mesmo ataca figuras imponentes do liberalismo católico, tais como Thomas Woods, Alejandro Chafuen, Lew Rockwell e Jeffrey Tucker em nome da doutrina de sempre da Igreja.

Todos os austríacos em geral defendem o livre-mercado e como consequência condenam toda e qualquer intervenção do Estado. Contudo, no mundo real, nós não temos (e conforme veremos nunca tivemos) o livre-mercado tão desejado por eles. Então, na prática, quando se opõem a uma regulação não estão defendendo o livre mercado e sim um mercado já regulado – e acredite algumas regulações são muito importantes como Olavo mesmo reconhece – então ficam sempre na insanidade de criticar o intervencionismo em nome de um livre-mercado idealizado, mas na prática defendem os “meta-capitalistas” de algumas regulações que poderia limitar o poder dos mesmos dentro de um capitalismo que não é nem nunca foi livre de fato (Ha-Joon Chang aqui).

Poderíamos ainda apontar outro problema com o conceito. Como segundo Olavo, meta-capitalismo se entende por empresários que se valem do livre-mercado para enriquecer, mas que quando se chega a um determinado ponto, cooptam o Estado para criar intervenções e burocracias que os protejam, impedindo assim a riqueza de outrem.

Deveria-se explicar onde na história econômica isso começa. Desde os momentos nascentes do capitalismo, como no no mercantilismo (que foi mais um feudalismo ulta-monetizado) ou mesmo com a revolução industrial e o laissez faire, sempre houve relação Estado-privados de modo a promover de uma forma ou de outra os interesses de um certo grupo nacional ou sociedade política. As obras de Niall Ferguson sobre a história do capitalismo são verdadeiros primores nisso. Por exemplo, o livro “A lógica do dinheiro” de Niall Ferguson é um primor. Em dado momento ela simplesmente demonstra que o Estado liberal é a troca da burguesia de parte de sua riqueza na forma de impostos por poder político – remember no taxation without representation?

O que entendemos como uma superclasse estranha aos interesses nacionais me parece – e aqui sou eu tentando definir o fenômeno que Olavo acusa de meta-capitalismo – nada mais que um desenvolvimento natural da técnica e do próprio capitalismo liberal.

O globalismo promovido por “meta-capitalistas” seria na minha visão um entendimento mútuo entre os grandes capitalistas do capitalismo central e de alguns chefes de Estado para criação de órgãos, burocracias e instâncias jurídicas supranacionais para mediar conflitos e assim, impedindo guerras, permitir o comércio internacional.

Mas isto só foi possível de ser feito a partir de um momento em que nada disso existia, ou seja, quando sociedades tradicionais extremamente fechadas com modo de vida pré-moderno e modo de produção feudal se depararam com as potências ocidentais a partir de 1400 naquilo que em “Civilização” e “A grande degeneração” o já citado Niall Ferguson chama de “grande divergência”. Obviamente isso só poderia – e foi – ser feito pelas armas a custo de expansionismo imperialista. O livre-mercado e as instituições modernas ocidentais foram impostas a força para colher lucros econômicos no médio-longo prazo, vide o caso da Guerra do Ópio e do Comodoro Perry no porto do Japão. Como Christopher Ferrara demonstra em “Liberty the God that failed” ao citar os casos inglês e americano, o capitalismo moderno é uma criação do Estado moderno.

Há ainda problemas lógicos: Se o liberalismo (isto é a economia de mercado) leva ao meta-capitalismo, então deveríamos fugir do mesmo, certo? Mas fugir do mesmo, exige que usemos o Estado como medida protetiva, o que como vimos o Olavo apoia, mas não é isso que os meta-capitalistas querem que façamos? Então, mantemos o livre-mercado e criamos o meta-capitalismo ou intervimos e fazemos o que os meta-capitalistas querem? Novamente fica vago o que o Olavo entende por cooptação do Estado para intervenções econômicas que limitam a competição. Seja de uma forma ou de outra, o suposto meta-capitalismo parece sempre ganhar. Meta-capitalismo de Schrödinger?

O globalismo real e a amaça do amanhã:

Retomando o que dissertei acerca do expansionismo imperialista do capitalismo liberal, Niall Ferguson no capítulo final de “A ascensão do dinheiro” (tanto o livro quanto o filme a partir de 33:50), comentando sobre a “Chimérica”, conceito por ele desenvolvido que é um trocadilho engenhoso com a palavra chimera (quimera em inglês), juntando os nomes China e América, demonstra como a complementariedade entre as economias americana e chinesa criou um cenário no qual o coração do mercado financeiro mundial (Estados Unidos) e o poder industrial mais dinâmico do mundo (China) se relacionam de maneira em que os ganhos extraordinários de renda do chinês médio formam tanto a nível de consumidor quanto a nível de empresa uma poupança vultuosa, que é revertida para os Estados Unidos na forma de empréstimos, ou para ser mais exacto, tanto os chineses quanto as grandes empresas e bancos da China compram títulos públicos dos Estados Unidos bem como derivativos de empresas americanas inundando o mercado americano com dinheiro (e crédito barato) bem como quinquilharias fabricadas por empresas americanas que receberam além da mão-de-obra barata uma série de incentivos para produzir lá. Em termos mais simples para o demos entender:

Os lucros das empresas chinesas são tão extraordinários, que sobra após todo o custeio da produção, pagamento de salários e dividendos, capital para reinvestir, expandir a produção e ainda aplicar em renda, fazendo da China o grande banco dos americanos. Ao exportar poupança, a China financia o consumismo americano.

Trump é justamente a resposta que os nacionalistas americanos conseguiram, pois como toda a industria americana estava transferindo produção para a China, havia temores de que ao fim do processo as quinquilharias chinesas não fossem mais quinquilharias e sim produtos altamente sofisticados e que as empresas americanas cada vez menos fossem americanas. Daí Trump com seu discurso protecionista de trazer os empregos de volta com uma série de intervenções estatais que me fazem perguntar se a ideia de meta-capitalismo do Olavo chega ao menos perto de fazer algum sentido no quadro geral dos acontecimentos de nosso tempo.

Enquanto Obama procurou na “primavera árabe” a formação de Estados governados por títeres do seu poder imperial, através do qual a economia americana poderia praticar uma economia extrativista de rapina de modo a suprir os cada vez mais esplendorosos déficits e a crescente dívida, Trump procura na América Latina após a derrota americana para a Rússia no Oriente Médio consolidar esse plano. Com qual razão? Acabar com a “grande reconvergência”. Se a “grande divergência” foi o processo pelo qual o ocidente a partir de 1400  se torna exponencialmente mais rico do que o resto do mundo (um chinês em 1975 tinha uma renda per capita de 100 dólares, um brasileiro de 1000 em valores de 2010), a grande reconvergência é processo no qual a China toma a dianteira do processo histórico e da liderança mundial. Se com a segunda maior economia do mundo a China tem o segundo maior arsenal do mundo, o que será dos EUA se ela se tornar a primeira economia do mundo? É isso que Ferguson chama de “A grande degeneração“, a decadência do ocidente.

E o que é o globalismo se não o resultado do próprio capitalismo globalizado? O que é a ascensão do dragão chinês se não um resultado colateral desse mesmo globalismo? A China percebeu que ela tem a chance de ouro de liderar o globalismo tomando o posto do titã envenenado (Os EUA para quem não sacou a referência).

Problema terminológico:

Como vimos acima, o liberalismo econômico 100% não intervencionista nada mais é que um delírio sem qualquer registro histórico, e mesmo quando havia livre-mercado sem liberalismo (Alfred Müller-Armack aqui) como no medievo, havia uma série de restrições econômicas feitas pelas próprias instituições intermediárias como as guildas e até do próprio rei. Então, se o capitalismo surge já com monopólios, se desenvolve na era de ouro do laissez faire favorecimentos duvidosos, expansionismo imperialista e outros inúmeros usos e feitos do puro poder estatal, não seria o meta-capitalismo nada mais que o próprio capitalismo?

Se meta-capitalismo significa como o próprio nome indica algo acima ou além do capitalismo, algo que o transcenda, ele já não se identifica mais com o mesmo sistema econômico, ele já é outra coisa. Talvez faria sentido atribuir isso ao socialismo – e no mesmo artigo Olavo parece associá-lo a isso, “o socialismo dos ricos”. Porém, acredito que fazer essa asserção seria algo muito incômodo, pois uma alegação como essa é muito próxima da lógica marxiana/marxista de que as contradições lógicas e internas ao capitalismo levaria inevitavelmente ao socialismo. Não acredito que qualquer liberal ou liberal-conservador possa sustentar uma ideia dessas sem um pouco de susto. Entretanto, se por meta-capitalismo refere-se a uma estrutura que existe no capitalismo e é sustentado pelo mesmo, além de outros problemas lógicos como os acima descritos, o próprio termo meta-capitalismo perderia seu significado, pois já não seria algo que transcende o capitalismo, mas um aspecto do mesmo objeto.

Conclusão:

Após as considerações acima feitas, resta-me conjecturar o porquê do uso da expressão meta-capitalismo por Olavo. O nosso pensador americanista se declara um adepto do liberalismo econômico como ele mesmo o diz no artigo aqui citado:

Em economia, sou francamente liberal. Acho que a economia de mercado não só é eficaz, mas é intrinsecamente boa do ponto de vista moral, e que a concorrência é saudável para todos.

Recentemente no facebook voltou a se dizer um adepto do liberalismo econômico no mercado interno, mas um anti-liberal no mercado externo (um protecionista não-burocratizante por assim dizer), o que novamente nos faz perguntar que tipo de intervenção ele apoia que seria contraditória aos interesses da super-classe “meta-capitalista”?

Enfim, Por essa razão acredito que o termo meta-capitalista não passa de uma falácia de distinção emergencial também conhecida popularmente como “falácia do escocês”. Enfim, para se safar na defesa do liberalismo do qual é partidário, Olavo diz:

– Bem, esse não era o verdadeiro capitalismo/livre-mercado/liberalismo“.

Eu acho que já ouvi esse argumento do outro lado do espectro político. Algo como:

– Bem, esse não era o verdadeiro comunismo”.

E isso é tudo o que tenho a dizer sobre “meta-capitalismo” e os “meta-capitalistas”. O meta-capitalismo é só o bem e velho capitalismo de sempre, com poderes ampliados pela técnica contemporânea, mas ainda assim, o velho conhecido de todos: o capitalismo.


*Arthur Rizzi é historiador graduado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), pretendente ao mestrado, interessado em história do pensamento econômico. 

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5 respostas em “E o tal de meta-capitalismo? Crítica a um conceito olaviano.

  1. Alguns apontamentos em relação a essa análise.

    O primeiro é que, com franqueza, dispensa comentários a crítica da terminologia “meta-capitalismo”, porque é evidente que se trata de uma terminologia simbólica, tendo em vista a ausência de estudo do fenômeno (a qual envolve a precisão das próprias categorias dos objetos de estudo). Como bem foi colocado na análise, quando que esse fenômeno se iniciou? Essa é a prova da falta de desenvolvimento do fenômeno no campo teorético, o que torna imprecisões aceitáveis e até mesmo inevitáveis.

    A teoria é válida e verossímil. Com efeito, podemos entender a verossimilhança do discurso e da realidade. No entanto, é uma teoria. Necessita, pois, de aprofundamento teórico, e resolver esse problema específico (surgimento do fenômeno) seria o papel de um bom historiador.

    O segundo é que, com ainda mais franqueza, o Olavo nunca buscou escusar o liberalismo econômico teórico com essa consequência que se verifica na realidade dos fatos (surgimento dos meta-capitalistas). Portanto, há uma certa malícia em dizer que existe esse argumento por parte do Olavo (“esse não é o verdadeiro capitalismo”).

    Eu poderia trabalhar mais esse ponto específico, porque tenho uma opinião que parece muito relevante aos cristãos, mas não convém que eu a expresse. Contudo, não se pode atribuir um pensamento desse ao Olavo, porque ele de fato não o tem. Com efeito, o autor do texto chegou a essa conclusão (inevitabilidade do surgimento de meta-capitalistas em uma economia liberal) e a atribuiu ao próprio Olavo, o que não é decente…

    Terceiro, equivoca-se quem alega que o globalismo é consequência somente do capitalismo globalizado. O fenômeno do globalismo também foi evidente nos blocos que compuseram a URSS. Na verdade, é muito difícil conceber-se o socialismo sem o globalismo.

    Acrescento nesse ponto específico que um estudo sério sobre o tema abordaria a hipótese de possibilidade de surgimento de meta-capitalistas (considerando que os mesmos existam) sem a consolidação do bloco soviético e da engenharia social promovida pela URSS.

    No ponto do globalismo, outro equívoco parece ser adotado pelo autor. O equívoco se encontra em considerar globalismo como uma coisa intrinsecamente má. Quem pensa dessa forma, despreza os esforços da Igreja em unificar o mundo em torno da Fé, o que envolve a adoção de preceitos morais que devem ter validade global, suplantando inclusive as tradições humanas quando se mostrarem contraditórias aos preceitos morais (esse ministério já começou com o próprio Cristo na luta contra os fariseus – Marcos, VII).

    Com efeito, não se combate o globalismo em si, mas a moral (ou anti-cristianismo) promovida pelos grupos que promovem o presente globalismo.

    Tal argumento não se aplica ao socialismo, pois o socialismo é intrinsecamente mal, porquanto nasce com a negação da realidade da Fé e dos Sacramentos, bem como até mesmo com a urgência de levar os revolucionários ao combate contra a própria Igreja. O liberalismo não é intrinsecamente mal. Do contrário, a economia de mercado parece ser até mesmo estar em harmonia com a moral católica.

    Por fim, o autor destaca algumas vezes que o Olavo não se desincumbiu de trabalhar de forma mais analítica as intervenções necessárias por parte do Estado. Colocar tais intervenções em termos genéricos e universais é uma tarefa necessária. Contudo, a natureza volúvel das circunstâncias que norteiam as decisões políticas fazem com que se exija a análise caso a caso. Não sei ao certo como teorizar a justificativa desse argumento, mas acredito que um mínimo de inteligência e decência já tornam tal argumento aceitável. De ausência dessa análise cotidiana não se pode culpar o Olavo, pois até mesmo as suas pequenas postagens em redes sociais demonstram que sua atenção se volta para esse assunto diariamente.

    Essas são só algumas observações que não contradizem a integralidade da análise apresentada pelo autor. Somente demonstram que este não compreendeu muito bem a concepção econômica de Olavo de Carvalho (uma pergunta: o autor da análise é aluno do COF?); que se utilizou de uma certa malícia em sua digressão (o que eu considero inaceitável nesses tipos de análise); que está procurando cabelo em ovo para atacar o Olavo de Carvalho.

    Francamente, é seguro dizer que, no Brasil, quem quer que não tenha pelo menos uns cinquenta anos de idade, dentre os quais pelo menos uns 30 dedicados à vida intelectual, não está preparado para fazer uma análise dessa natureza em relação ao pensamento político e econômico de Olavo de Carvalho… É muito frustante e desesperador, mas tal fato deve ser aceito.

    Que o Deus Todo-Poderoso nos conceda a graça de termos, dentro de poucas décadas, uma elite intelectual que possa se prestar a tal empreendimento. Ainda assim, tal elite constará na coroa de glória do Olavo, pois provavelmente essa elite será composta por seus discípulos e pelos discípulos destes.

    Sejamos mais humildes.

    Grande abraço.

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    • Primeiramente, obrigado por um comentário racional.

      No geral, os comentários no blog e na página são basicamente bovinos para dizer o mínimo quando se trata de Olavo de Carvalho. Analisemos a sua resposta:

      [[O primeiro é que, com franqueza, dispensa comentários a crítica da terminologia “meta-capitalismo”, porque é evidente que se trata de uma terminologia simbólica, tendo em vista a ausência de estudo do fenômeno (a qual envolve a precisão das próprias categorias dos objetos de estudo). Como bem foi colocado na análise, quando que esse fenômeno se iniciou? Essa é a prova da falta de desenvolvimento do fenômeno no campo teorético, o que torna imprecisões aceitáveis e até mesmo inevitáveis.]]

      Supondo que o que diz seja factual, devemos nos perguntar: se se trata de uma terminologia simbólica ou provisória, não seria o caso de próprio professor fazer ressalvas ao termo (como certa vez ele próprio o fez acerca da expressão “marxismo cultural”)? Se não o fez, não seria no mínimo temerário da parte dele fazer análises com termos não tão bem refletidos acerca de assuntos aos quais a tese não é clara e a hipótese avançada não está bem fundamentada? Em um dos vídeos linkados temos a definição dada pelo próprio professor Olavo de Carvalho em um Fórum da Liberdade, ainda em meados da década de 2000, quando este ainda residia em solo nacional, e passados quase uma década e meia, me parece a princípio (especialmente quando lemos o debate com o professor Dugin), que não foi feito nenhum avanço substancial na hipótese do meta-capitalismo. Assim sendo, torno a perguntar se não seria problemático analisar a conjuntura mundial na economia e na política com fundamento numa teoria mal fundamentada?

      Tal conceito impregnou tanto a assim chamada “nova direita”, que até mesmo o Brasil Paralelo produziu recentemente um dos seus docs com base em tal conceito. Parece-me, portanto, que Olavo não parece interessado em evidenciá-lo historicamente. Não o recrimino, ele é filósofo e não historiador. Mas um cocneito que é eminentemente histórico lançado por um filósofo demanda evidência histórica. Esta, porém, é uma postura comum, todavia perigosa. É normal que um filósofo ou estudioso avance com uma hipótese para explicar um fenômeno e que essa carecendo de evidências bastante para se sustentar em seu tempo, tenha seu desenvolvimento continuado pelos sucessores do mesmo. Existe um problema, entretanto: não me parece que os pensadores olavianos pretendam continuar desenvolvendo o assunto, dado que os que eu conheço o tomam como um fato concreto e tese finalizada. Explicarei mais no parágrafo abaixo;

      Disse que é uma postura perigosa, certo? Então, a explicação de um fenômeno pode ter hipóteses rivais (e há algumas em jogo) aos quais não são mencionadas e nem se oferece explicações superiores a elas como justificativa do mesmo. E segundo me parece, os pretensos sucessores de Olavo atuantes no Brasil Paralelo não pretendem desenvolver melhor a hipótese ou mesmo procurar na realidade evidências daquilo que ela explica e o que ela não explica. Tomam-na como explicação final e ponto. Falo nisso em relação aos que estão no Brasil Paralelo, se outros alunos dentro do COF o fazem, não tenho como saber (já respondendo a sua pergunta se sou do COF). Sendo assim, tal hipótese corre o risco de se tornar uma conclusão em busca de premissas que a sustentem. E uma conclusão a procura de premissas é tudo, menos busca pela verdade. A verdade supõe algo por conhecer, e a busca sincera dela na realidade. Uma conclusão tomada a priori ou é um axioma e portanto dispensa provas, ou se trata de um ato de fé metastática a la Voegelin.

      [[o Olavo nunca buscou escusar o liberalismo econômico teórico com essa consequência que se verifica na realidade dos fatos (surgimento dos meta-capitalistas). Portanto, há uma certa malícia em dizer que existe esse argumento por parte do Olavo (“esse não é o verdadeiro capitalismo”).]]

      De fato, Olavo nunca escusou o liberalismo teórico de um monte de coisas, mas também nunca deixou de elogiá-lo! Ele sempre se mostrou um adepto da Escola Austríaca de economia, ou no mínimo alguém muito simpático, e ele sempre foi um forte defensor da não interferência do Estado em matéria econômica em condições “normais”. Dessa forma, é evidente que o professor Carvalho de alguma forma não vê uma continuidade necessária entre liberalismo econômico e globalismo, o que me permite chegar a conclusão de que talvez, para o professor Olavo de Carvalho, este não seja o verdadeiro liberalismo econômico, que se trata de um braço ruim do mesmo ou de uma deturpação.Na verdade é bastante sensato pensar isso. O quão grande é a possibilidade de se desenvolver um liberalismo não-globalista porém, é uma boa matéria de discussão dentro do pensamento do mesmo, dado que por ele não desenvolver bem o tema, não fica claro qual é a margem de manobra possível em relação ao liberalismo econômico e político.

      Novamente volto a perguntar se não se trata de uma atitude temerária do professor Carvalho em apontar como explicação uma hipótese por ele tão mal acabada e com tantas brechas para que levantem questionamentos.

      Uma hipótese visa responder um grupo de problemas postos, e ela tenta antever perguntas posteriores e respondê-las de forma realista. Isso marca a diferença entre uma hipótese e aquilo que o próprio Olavo chama de “palpite”. Permita-me um exemplo lúdico:

      Uma coisa é tentar explicar a vida na Terra através da evolução das espécies, recorrendo ao mecanismo da seleção natural, propondo a ação do meio, do relevo, do clima, do “acaso”, explicar isso através de como nossos corpos selecionam genes enfim. Existe mais do que uma pergunta respondida aí. Tem o “o quê”, e adianta meios e possíveis respostas. É completamente diferente de dizer que as coisas sempre foram assim ou que um belo dia um ET pousou na Terra deixando todas as formas de vida que conhecemos aqui. Percebe a diferença?

      A hipótese do ET de fato explicaria a vida que conhecemos, mas carece tanto de evidências e praticamente nada faz para responder objeções previsíveis. Em outras palavras, considerá-la uma hipótese séria é na melhor das hipóteses um disparate. Não estou de maneira nenhuma comparando a teoria do “meta-capitalismo” com a hipótese do ET em qualidade, só dizendo que elas tem em comum um fato: Pouco fazem em evidenciar suas explicações. Certamente em termos de bom senso e realismo a tese olaviana é superior a de quem quer que seja que afirme que ETs criaram a vida na Terra.

      Assim fica claro que se eu cheguei a conclusão de que ele tentou escusar o liberalismo de alguma forma, não é malícia, mas simplesmente a própria ambiguidade de sua proposta e a inclareza de seus termos me permitem levantar esse tipo de pergunta, até porque muitos condenam o liberalismo, de Guénon a Maritain, mas nem sempre da mesma forma, nem com os mesmos fundamentos, nem com as mesmas finalidades e nem com a mesma intensidade.

      [[O equívoco se encontra em considerar globalismo como uma coisa intrinsecamente má. Quem pensa dessa forma, despreza os esforços da Igreja em unificar o mundo em torno da Fé, o que envolve a adoção de preceitos morais que devem ter validade global, suplantando inclusive as tradições humanas quando se mostrarem contraditórias aos preceitos morais (esse ministério já começou com o próprio Cristo na luta contra os fariseus – Marcos, VII).]]

      Não contesto essa afirmativa de fato verdadeira. Minha abordagem fica estritamente limitada ao fenômeno globalismo como se debate em relação ao mundo de hoje, como nas relações econômicas da China e dos Estados Unidos, o papel da União Européia e da Rússia, o mundo islâmico, a América Latina, a ONU, etc.

      [[Com efeito, o autor do texto chegou a essa conclusão (inevitabilidade do surgimento de meta-capitalistas em uma economia liberal) e a atribuiu ao próprio Olavo, o que não é decente…]]

      Não são propriamente conclusões que atribuo ao Olavo, mas a aplicação de reductio ad absurdum explorando possíveis resultados da premissa de uma interpretação do que é proposto por Olavo. Se Olavo tem alguma objeção a isso e espero que tenha, estaria muito curioso para saber mais do que ele pensa sobre um assunto tão relevante.

      [[Terceiro, equivoca-se quem alega que o globalismo é consequência somente do capitalismo globalizado. O fenômeno do globalismo também foi evidente nos blocos que compuseram a URSS. Na verdade, é muito difícil conceber-se o socialismo sem o globalismo.]]

      Acredito que melhor seria dizer no caso soviético que o que existiu foi imperialismo. Sim, o mesmo imperialismo que Lênin atribuía ao capitalismo pode ser perfeitamente alegado contra a URSS. O globalismo, me aprece, é algo mais discreto e diplomático. O imperialismo impõe-se quase sempre de forma militar e clara. A grande maioria das pessoas no Brasil acham que o Brasil é um país totalmente soberano porque não veem uma potência estrangeira nos obrigando a nada. Duvido que o mesmo se poderia afirmar de um tcheco ou um polonês sob a cortina de ferro. Temos a primavera de Praga como boa evidência disso.

      No Brasil, porém as coisas vem por meio de ONGs, grandes empresas, do mercado financeiro, de think tanks e mil outras fontes.

      [[O liberalismo não é intrinsecamente mal. Do contrário, a economia de mercado parece ser até mesmo estar em harmonia com a moral católica]].

      Aqui é forçoso fazer uma distinção. Liberalismo não é o mesmo que economia de mercado. O medievo tardio era ao seu modo uma economia de mercado, mas certamente não era liberal. O professor Alfred Müller-Armack fez muito bem esta distinção em seus trabalhos e muitos distributistas como John C. Médaille e John D. Müller também.

      Então eu acho mais acurado dizer que a economia de mercado não é condenável, entretanto o liberalismo o é. Dom Félix Sardá y Salvany – O liberalismo é pecado, livro com aprovação do Santo Ofício. Perillo Gomes – O liberalismo, interpretação da obra de Dom Félix na realidade brasileira. Os próprios documentos Syllabus, Quanta Cura, Mirari vos, Libertas e outros são magistérios francamente anti-liberais da Igreja. Poderia citar ainda obras do grande Christopher Ferrara – Liberty, the God that failed e The Church and the libertarian; Angus Sibley em The poisoned spring of economic liberalism, Toawrd a truly free market de Médaille que poderiam perfeitamente fechar esse assunto a respeito do liberalismo econômico e do liberalismo enquanto tal em matéria de fé.

      [[Por fim, o autor destaca algumas vezes que o Olavo não se desincumbiu de trabalhar de forma mais analítica as intervenções necessárias por parte do Estado. Colocar tais intervenções em termos genéricos e universais é uma tarefa necessária. Contudo, a natureza volúvel das circunstâncias que norteiam as decisões políticas fazem com que se exija a análise caso a caso. Não sei ao certo como teorizar a justificativa desse argumento, mas acredito que um mínimo de inteligência e decência já tornam tal argumento aceitável. De ausência dessa análise cotidiana não se pode culpar o Olavo, pois até mesmo as suas pequenas postagens em redes sociais demonstram que sua atenção se volta para esse assunto diariamente.]]

      Olavo lançou a alguns dias atrás a hipótese de um “liberalismo interno e protecionismo externo” que é basicamente o que F. List e Alexander Hamilton, dois protecionistas, pregavam. Entretanto ainda não ficou claro se é de fato a respeito da teoria desses dois que Olavo fala. Não custa lembrar que se for, Olavo teria ainda que polir as arestas de tal afirmativa, dado que List e Hamilton eram próximos a escola historicista alemã contra a qual a Escola Austríaca se insurgiu na batalha dos métodos. Esse é também um assunto da esfera mais interna da economia, pode ser que Olavo não tenha se aventurado a isso por não ser da área. Aí novamente vem a pergunta. Não seria temerário laçar tal tese sem ter explorado ela bem e fundamentado ela melhor ainda?

      [[ que está procurando cabelo em ovo para atacar o Olavo de Carvalho.

      Francamente, é seguro dizer que, no Brasil, quem quer que não tenha pelo menos uns cinquenta anos de idade, dentre os quais pelo menos uns 30 dedicados à vida intelectual, não está preparado para fazer uma análise dessa natureza em relação ao pensamento político e econômico de Olavo de Carvalho… É muito frustante e desesperador, mas tal fato deve ser aceito.]]

      Não acredito nessa hipótese, acredito na capacidade da razão humana em atingir a verdade. Quanto ao pensamento de Olavo, tendo a concordar quanto a sua afirmação quanto ao aspecto puramente político em muitos pontos, mas nessa questão do globalismo, do meta-capitalismo e da visão econômica de Olavo, fica muito claro que ele tem um desenvolvimento pouco claro e naquilo que é discernível inconsistente em alguns pontos. Dessa forma, poderia-se dizer que esse aspecto é muito embrionário sobretudo se levarmos em consideração como isso tem sido usado como argumento definitivo para explicar a política externa de nosso país. Se Olavo não foi devidamente apreciado onde seu pensamento é claro, isso se deve a muitas razões que não convém dizer aqui, mas que poderíamos adiantar que vão desde a birra política do establishment acadêmico, o preconceito daqueles que pouco conhecem e até mesmo o fato de Olavo ser um pensador ainda vivo e escrevendo, o que dificulta fechar suas ideias num bloco como se faz com obras de autores póstumos.
      Quanto as alegações de desonestidade de minha parte, simplesmente prefiro ignorar, pois tenho para mim que as respondi acima e também que o que vem debaixo não me atinge. Por conclusão, deixo ainda a pergunta:
      Se a teoria é tão embrionária, como poderia se demorar 30 anos para compreendê-la?

      Saudações.

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