A desmoralização institucional do bolsonarismo.

Arthur Rizzi*

Durante os anos do governo PTista, ocorreram inúmeras tentativas de aparelhamento institucional e de desmoralização das instituições. Essas tentativas lograram pouco êxito por uma soma de fatores, que vão de uma oposição midiática tímida vindo de certos setores do jornalismo mais pró-mercado, até a incompetência e/ou incoerência do próprio governo.

Ao longo de 13 anos, o PT oscilou entre tornar-se o queridinho dos mercados e tornar-se um partido bolivariano. O governo Lula foi um pouco disso, ao mesmo tempo em que se adotava uma política econômica ortodoxa e liberal, fazendo uma espécie de acordo de classe entre a burguesia usurária internacional e os sindicatos, o lulismo era anti-liberal numa tentativa de converter as instituições brasileiras num simulacro do chavismo com o PNDH-III.

Ao mesmo tempo em que tentava a regulação da mídia, o PT concedia autonomia a Polícia Federal e ao Ministério Público, bem como dava aval às delações premiadas via STF e seus ministros apaniguados, o mesmo mecanismo que o destronaria. Nem a prosperidade econômica da era Lula e sua enorme popularidade foram de grande ajuda.

Quando a crise explodiu com Dilma e com a memória do último impeachment distante (inclusive tendo tido um resultado bom, o Plano Real), foi fácil para a classe política acreditar que removendo uma presidente confusa e isolada, que a história se repetiria.

Hoje a situação é diferente. O impeachment abriu espaço para o “conservadorismo” americanista de Bolsonaro e aliados, e a crise política e econômica que perdurou por todo o governo Temer deixou a lição ao congresso que o bom resultado do impeachment de Collor fora um fato isolado e meramente acidental. Como previsto, a crise política continuou e culminou na eleição de Bolsonaro.

Temeroso agora de um novo impeachment, que poderia por em xeque a legitimidade da classe política e das instituições, bem como também temendo o resultado de um novo impeachment com um prolongamento da crise (como um possível retorno de um petismo sedento por vingança), o congresso se vê apertado entre um governo retardado preocupado mais com os interesses dos Estados Unidos do que com os nossos (além de envolto em trapalhadas) e um possível retorno do PT.

O resultado é que cada humilhação de ministro, cada ofensa ao decoro e cada destrato pessoal para cada personalidade importante da república, bem como o nepotismo e personalização crescente do poder político, passam a ser tolerados e engolidos a seco, com o temor de uma piora da crise econômica e política. A derrota de Macri nas primarias instaurou o caos na Argentina, o câmbio disparou, o juros também, a inflação voltou a decolar. Como resultado, isso virou sinal de reforço para as instituições de que o temor da queda do “Mito” poderia trazer o caos e o PT de volta.

Graças ao patrocínio do mercado e do jornalismo a Guedes e Moro, e ao temor do congresso, as instituições estão sendo desmoralizadas a um nível jamais visto.

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