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Bolsonaro e Trump: Mais diferenças que semelhanças

Niall Ferguson*

Embora a Argentina seja a anfitriã do encontro do G20 esse ano, a maior economia latino-americana de longe é o Brasil. Você procurará em vão evidência de crise em São Paulo, onde fiquei a maior parte da última semana.

A cobertura da mídia do hemisfério norte da vitória do populista de direita Jair Bolsonaro na eleição de outubro tem sido predominantemente negativa, focando em seus antecedentes militares, sua linguagem inflamada e sua simpatia política por Trump. “Jair Bolsonaro’s climb to power has been marked by divisive rhetoric and offensive speech,” tuitou o jornal The New York Times. “Our planet can’t take many more populists like Brazil’s Bolsonaro,” lamentou o The Guardian. Como um populista de extrema-direita pró-ditadura e pró-tortura foi eleito?

Na realidade, as semelhanças entre Bolsonaro e Trump são superficiais. Ambos certamente se expressaram com sentimentos social e culturalmente conservadores que se tornaram um tabu nos círculos da elite esclarecida do ocidente. Ambos dirigiram seu poder de fogo a estamentos políticos falidos e corruptos. E ambos certamente entenderam melhor do que seus oponentes como explorar o poder político das redes sociais. Mas as semelhanças param aqui.

Primeiro, o foco de Bolsonaro é lei e ordem, não a imigração, com a qual o Brasil não tem problemas. O Brasil viu mais de 60,000 assassinatos no último ano, mais do que China, Estados Unidos e México juntos. Segundo, Bolsonaro juntou forças com o liberal monetarista de Chicago, o economista Paulo Guedes, ao passo que Trump tem como princípio o protecionismo. Enquanto Bolsonaro apelou ao voto dos jovens, ao contrário, Trump apelou a nostalgia dos mais velhos.

O novo governo brasileiro está comprometido com estabilização fiscal, privatização de estatais, simplkificação tributária e maior liberalização de mercado. Este é o tipo de reforma econômica que o Brasil precisa desesperadamente. O país é a nona maior economia do mundo mas está na 125ª posição no ranking de facilidade para fazer negócios do BIRD, atrás até do Irã. O que Guedes tem falado em quase nada soa como o modelo chinês — soa mais como Margaret Thatcher dançando um sambinha. E de fato, Bolsonaro foi abertamente hostil à China durante a campanha, declarindo: “A China não está comprando coisas no Brasil, ela está comprando o Brasil.” Ele inclusive visitou Taiwan.

Por todo o mundo, do grandioso Brasil à minúscula Nova Zelândia, vários países estão escolhendo seus lados ao passo em que o antagonismo Sino-Americano muda sua escala de tensão de uma guerra comercial a uma nova guerra fria.


*Niall Ferguson é historiador econômico e autor de vários livros como Colosso, Império, A Ascensão do Dinheiro, Civilização, A lógica do Dinheiro e a Grande degeneração.

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Paulo Guedes está mentindo para você.

Arthur Rizzi*

A Folha de São Paulo reverberou recentemente uma frase de Paulo Guedes de que ele zeraria o déficit do governo esse ano, e os meios seriam os seguintes:

“Entre as medidas preparadas para atingir esse objetivo, estão as privatizações de estatais, a aprovação de uma reforma da Previdência e a realização de um mega leilão de petróleo se o governo fechar acordo com a Petrobras sobre a chamada cessão onerosa”.

Isso não é factível talvez mesmo nos melhores cenários. A reforma previdência deve passar, mas mesmo ela é uma batalha que deve demorar um bocado para tramitar nas duas casas pelo estardalhaço que a oposição certamente fará. Uma outra boa razão é que o montante de reformas pretendidas é muito maior do que a que as brigas políticas no congresso em um ano comportam. Privatizações por mais que gozem de um apoio maior da população nos últimos anos do que nos tempos anteriores, ainda não é exatamente uma coisa bem-vista.

O problema econômico também existe nessas medidas. O leilão dos campos de petróleo e a privatização de estatais diminuem o passivo do Estado do lado dos gastos e da receita que deve entrar, mas a receita da venda é algo que entra uma vez só, e a evidência histórica demonstra que não raro ela envolve uso do próprio BNDES. Contudo, privatizações ainda reduzem a curto e médio prazo o retorno do governo em impostos, dado que ele abre mão de uma receita integral por uma fatia em impostos que só compensará a receita depois de alguns anos, e ainda, com o aumento da remessa de lucros aos exterior, deverá haver algum peso na balança comercial fazendo com que o governo tenha de cobrir esse déficit com dívida.

Mesmo com a reforma da previdência, os resultados fiscais da mesma não deverão aparecer ainda em 2019, e é bem provável que governo feche o ano com um déficit na casa de 1% do PIB pelo menos. E isso num cenário ótimo! O governo tem margem ainda para reduzir os juros pelo menos 0,5%, isso pode dinamizar o investimento e o consumo, se mais de uma dessas reformas passarem o otimismo deve fazer a economia crescer pelo menos 2,3% esse ano. Isso provocará um ganho de receita e provavelmente será a única coisa responsável por um decréscimo real do déficit. Se o governo subir os tributos pode ser que consiga um resultado assim também.

Entretanto o cenário exterior é ruim, a China está diminuindo seu crescimento, o que deverá diminuir a demanda pelas commoditties brasileiras, e a Europa parece estar dando sinais de fumaça novamente. Os Estados Unidos devem enfrentar uma diminuição no seu crescimento entre esse ano e o próximo, além de que as peripécias do Itamaraty podem prejudicar o crescimento econômico do Brasil.

Uma coisa é certa, Guedes está mentindo quando diz zerar o déficit em 2019.


*Arthur Rizzi é historiador e é um amante de história do pensamento econômico.

Caos e Balbúrdia – Uma síntese de meio mês de governo.

Edmundo Noir*

Caos e Balbúrdia, eis as palavras que pego emprestado de meu colega Arthur Rizzi para definir a rotina do novo governo que dá mostras de fragilidade e amadorismo desde seus primeiros dias. A frágil aliança entre setores da maçônicos, olavistas, militares, ruralistas e neopentecostais bem como ao ego de oportunistas e parasitas já coleciona frestas e divisões ante a constante pressão midiática. Não sejamos nós ingênuos, a mídia é inimiga, não apenas do atual governo, como da Fé Católica e de todo e qualquer homem de bem; como filial do inferno na Terra, o “quarto poder” não suporta o mínimo recuo de sua agenda imoral, a saber feminismo, laicismo e sodomia. O novo governo não parece suficientemente convencido da perfídia deste inimigo e, adota estratégias tímidas como o remanejo de verbas (da Globo para a Record e o SBT), algumas poucas vexações e dificuldades durante a posse, além de um uso um tanto mais intensivo da internet. Sei bem que Bolsonaro não há de fazer uso de alguns mecanismos de censura (tão necessária nestes nossos tempos obscuros afim de barrar o tsunami de imoralidade e mentira que inunda este país), mas ao menos um uso mais racional do aparato de comunicação estatal seria factível não? Porque não transformar a inútil TV Brasil na voz do Estado, ponte e veiculo oficial que conecta o “príncipe” a seu povo? Porque deixar ao inimigo o encargo de oráculo e mediador?

Das ondas radiofônicas e televisivas, passemos ao vergonhoso episódio no INEP, onde o novo responsável fora demitido pouco mais de um dia pós-nomeação. Não que seja simpatizante da pedagogia olavette neoconservadora do ex-MBL, mas não poderia ser evitada tamanha demonstração de fraqueza? Tão vergonhoso recuo fazia-se mesmo necessário? Fosse de fato comprovado o plágio e/ou a inconpetência do dito cujo para o exercício do cargo, que ficasse lá algum tempo de forma figurativa, delegando o poder decisório a algum secretário e, uma vez que as atenções estejam dirigidas alhures, que se concretizasse a substituição. Maquiavelismo? Não, política! Não se deve expor os erros e fragilidades da tropa ante o espetáculo da plebe. (Isso para não mencionar o ainda mais imbecil caso da APEX)

Aliás, há ainda de se mencionar as ridículas discussões do ZAP da bancada do PSL reveladas ao público, bem como as divisões entre olavistas e oportunistas no que diz respeito ao lobby chinês. Que raios de governo militar é este que não consegue assegurar a fidelidade e sigilo de seus aliados e subordinados, bem como não é capaz de discutir uma instrução normativa para com a base alidada e manter sob controle a egolatria dos idiotas?

Tamanho amadorismo só faz a alegria das esquerdas, que só não retorna ao poder ou causa maiores danos a este bando de ineptos, por ser ela também um agremiado de idiotas que se esquece dos problemas nacionais para divagar sobre seus fetiches e fantasias sexuais desordenadas.

Torço para que o novo governo tome rumo, e alguma alma sã coloque ordem sob o caos; pois apesar dos pesares e pontos de discordantes no que tange a geopolítica e a economia, o mínimo senso moral neoconservador, em questões essenciais como a oposição ao aborto e a ideologia de gênero, fazem-me nutrir ainda alguma simpatia para com este bando de patetas. Aguardemos os próximos capítulos, pois este é apenas o primeiro mês de 4 (ou 8) longos anos…

*Edmundo Noir é Blogueiro, proprietário e fundador do BunKer Suburbano (www.bunkersub.com) e colaborador esporádico da Reação Nacional.

A oposição progressista a Bolsonaro não é capaz de unir o país.

Arthur Rizzi*

No Brasil de hoje todos só querem ter razão sem nada conceder ao outro lado, e todos são profundamente relativistas mesmo quando acreditam não sê-lo. A unificação do Brasil só pode ser feita pela unificação de dois polos do povo brasileiro separados pela política e pelas ideologias americanistas e afrancesadas que vieram a banhar o litoral. O mesmo povo que é majoritariamente contra privatizações e de um anti-liberalismo econômico notório, é o mesmo povo que é de um anti-liberalismo moral evidente e adepto de uma postura tradicional em matéria religiosa. Não se engane o leitor progressista, sou tão oposição a Bolsonaro quanto você, mas não pelas mesmas razões.

Até presente momento a oposição ao presidente recém-empossado Jair Bolsonaro existe na forma da crítica progressista a ele, e ela frequentemente vem com recusas éticas, historicismo, democratismos e reduções ao nazismo. Esse tipo de proposta tende a fracassar pois a semente do caos foi a progressiva divisão ideológica do Brasil entre nós e eles, entre elite malvada e povo virtuoso. Isso foi construído pela narrativa petista quando decidiu optar pela estratégia de reduzir toda crítica a sua gestão (críticas justas à corrupção, à irresponsabilidade econômica e ao desdém pela religiosidade popular) a elitismo e fascismo.

Em outras palavras, a recusa ao contraditório tão apontada como carácter do bolsonarismo (seria talvez melhor descrevê-lo como olavo-bolsonarismo), já existia no petismo, onde a crítica era sempre enquadrada como um ato de desordem moral e de preconceito. Não existia a possibilidade da crítica democrática, ou era o apoio irrestrito ou era o fascismo. Não é de se estranhar que o bolsonarismo tenha a mesma estrutura, pois é um petismo às avessas. Não existe oposição democrática para a nova doutrina em voga, existe apenas a adesão plena ou o comunismo. Se você não está conosco, está contra nós, e portanto é um ser antiético que quer sexualizar criancinhas, que quer exterminar os valores tradicionais da religião e destruir a propriedade privada.

O filósofo Renato Lessa é um exemplo desse tipo de crítica, ele alega que o bolsonarismo é uma recusa ao contraditório por afirmar o local contra o global, e por afirmar a religião contra o secularismo. Prossegue, como de costume pela redução ao nazismo e por fim, faz uma crítica moralista. Este tipo de crítica apenas reforça o espírito de auto-defesa de grupo entre os adeptos do bolsonarismo, e justifica o espírito de falsa dicotomia entre “nós, os virtuosos vs. eles, os comunistas malvados” (não que não haja comunistas). Por fim, o triunfo da oposição progressista terminaria por dividir ainda mais o país, separando o mesmo entre conservadores raivosos e ressentidos e progressistas orgulhosos por destruir o adversário (hoje o paradigma é o inverso, os conservadores estão felizes pela destruição do adversário e os progressistas ressentidos e raivosos). Como unificar o país, assim?

Outro problema é que esse tipo de crítica é em geral inconsistente, afinal, a recusa ao contraditório que serve de acusação a Bolsonaro aparece na própria mentalidade do autor do texto. Isto é, o antiglobalismo é um gesto de recusa ao contraditório, mas ao que é claramente visível é que o antiglobalismo é o oposto lógico do globalismo. Logo, o autor ao não aceitar o anti-globalismo como um polo do debate não incorreria na recusa do contraditório? Ora, as liberais-democracias nascem originalmente dos estados nacionais e do liberalismo político que afirmava a soberania da nação em face da cristandade (globalismo cristão), fundada na união do Trono e do Altar, do império e da Igreja.

Logo dizer que pela própria natureza da democracia, o paradigma patriótico é algo de anti-democrático, seria negar aos primeiros liberais-democratas o seu carácter de democratas. Só resta ao senhor Lessa cair no historicismo, mas como todo historicismo tende ao relativismo, a posição de democrata do senhor Lessa é no mínimo tão questionável quanto à dos primeiros nacionalistas que se descreviam como liberais-democratas, e que tal como eles acabará sendo superado pela história e relegado ao anti-democratismo.

Não é curioso que o relativismo de alguns se choquem com a ideia de “sentido histórico” de progressão da autoconsciência do homem na ampliação da democracia e das liberdades? Não se pode ser relativista e teleológico, ambas as coisas se negam e se contradizem. Hegel e Derridá não combinam.

Por mais que torçam os narizes, a verdade é que existe uma realidade para além da nossa mente, e que não desaparece mesmo que não estejamos aqui para vê-la. Isto não precisa ser provado, pois de outra forma haveria apenas o nada (o que é um não-haver de certa forma, dado que só o fato de termos de corrigir a linguagem para melhor o descrever, já denota que há uma diferença entre o objeto analítico referido e a linguagem). E mesmo que a realidade seja apenas uma ilusão do “gênio mau” cartesiano, ainda haveria o gênio mau e a ilusão, o que é certamente alguma coisa. E mesmo que a realidade seja apenas um discurso sem enunciados, sem enunciantes e sem ouvintes, ainda haveria a linguagem. Então, alguma coisa há, e dentre as hipóteses elencadas, a única que faz sentido é o velho realismo epistemológico que ficou démodé entre os nossos pós-estruturalistas. Apelar a idealismos, nominalismos entre outras abordagens limitadoras da capacidade humana de conhecer o real acaba em última instância sendo um tiro no pé.

Logo, faz ainda menos sentido acusar de anti-ético o discurso contra “politicamente correto”, como se o mesmo afirmasse o “moralmente correto”. Contudo, o que seria o moralmente correto se não um conjunto de valores atemporais e aculturais? Como tal coisa não pode existir para alguém como Lessa, logo cai-se novamente no historicismo. E por que as verdades morais do senhor Lessa e da civilização liberal-democrática seria mais valorosas que a de Bolsonaro? Silêncio. Em outras palavras, ao ironizar pondo entre aspas a expressão “politicamente correto” como sendo um meio de deslegitimar o que seria objetivamente correto, não crendo em algo assim, o que Lessa revela é que na prática (como um bom historicista) é que o seu objetivamente correto, ético e moral, não passa mesmo de uma ética politicamente conveniente!

Por essas e outras razões a oposição ao bolsonarismo só pode nascer do ponto de vista prático, de uma genuína empatia com a cultura e religiosidade do povo brasileiro,  com a defesa dos índios – parte integrante da tradição católica do país, cada vez mais suprimida pelo exclusivismo messiânico do neopentecostalismo – e com a defesa de valores morais objetivos e a aplicação dos mesmos no campo econômico, onde se põe em prática a espoliação do trabalhador pela supressão de seus direitos. Talvez seja a hora de trazer de volta um pouco de Heinrich Pesch, de Walter Eucken e talvez até mesmo um pouco de John Maynard Keynes.

Não será nem com gnosticismo conservador e nem com panteísmo progressista que se poderá objetar e parar o olavo-bolsonarismo, ao menos não sem graves consequências posteriores. Como diria escritor inglês G. K. Chesterton, apenas a ortodoxia pode fazê-lo, e a oposição progressista não é capaz disso sem desunir ainda mais o país. Não se trata de um direito ao erro o que se deve fazer, mas a velha doutrina católica da tolerância, se o bolsonarismo é um mal que não se pode extirpar, cabe aos progressistas que se tolere o mesmo, sem nunca desejar destruí-lo e suprimi-lo e o inverso é também verdadeiro. E um bom caminho para isso é algo novo unindo o que há de verdadeiro nos dois lados, e não o que há de mentiroso em ambos.

O problema, talvez, é que isso exigisse sair de nossas orgulhosas e confortáveis posições modernas “esclarecidas” e recuperar algo que foi perdido no “obscurantismo reacionário”, por volta de entre 1776 e 1789.


*Arthur Rizzi é historiador formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e pesquisador de história do pensamento econômico.

EDITORIAL: O que esperar do governo Bolsonaro?

Bolsonaro venceu a eleição, e estamos a pouco mais de 30 dias da posse. O que esperar desse governo para 2019? Dado que é a reestreia de uma direita que se assume como direita na política e no governo desde 1964, ainda tudo é muito incerto, e portanto nossa previsão será mais curta. Mas o governo de transição já deu ideias do que pode estar vindo por aí.

Separaremos os prognósticos em quatro setores: moral, econômico, política externa e relações laborais.

Na moralidade, podemos esperar um governo conservador nesta matéria, mas não espere um moralismo católico, intelectualmente coerente e fundado no direito natural clássico, e sim um moralismo evangélico de um certo setor neopentecostal grosseiro e messiânico, pois caso fosse pelo menos luterano, anglicano (high church) ou metodista, haveria suficiente proximidade com a doutrina católica para que houvesse algum critério e razoabilidade.

O que ocorrerá, entretanto, será um arrazoado de proibicionismos arbitrários e sem contexto lógico que os unifique, um verdadeiro show de biblismos, hermenêutica arbitrária e subjetivista, além de chavões duvidosos. Ou seja, longe de termos aquele escopo intelectualmente sério de uma Pontifícia Academia para Vida, teremos a arbitrariedade e o caos tentando serem unificados, quando possível, pelo intelectual americanista Olavo de Carvalho. Quando não for possível, veremos ele próprio “baixar a ripa” com força, o que poderá ou não, surtir efeito no governo.

Um dos exemplo disso é o caso do projeto Escola sem Partido, que a partir de uma intuição moral certa, descambou para outra coisa bem pior que o mal que queria combater. Gerando um clima inquisitorial de perseguição ideológica, o projeto não possui critérios claros, ameaça professores e intelectuais universitários com sanções legais por quaisquer palavras, gestos e pensamentos expostos que possam soar como ideologizados e doutrinários. Com a atual ocupação liberal-conservadora e americanista das instituições, poderá acabar tentando criar uma hegemonia intelectual lib-cons/americanista na sociedade, punindo não apenas os “comunistas malvados” originalmente traçados, mas até nacionalistas e cristãos sérios que ofereçam uma perspectiva que fuja da neo-ortodoxia liberal-conservadora americanista. É o ambiente perfeito para o nascimento de intelectuais radicais anti-sistêmicos, dado que a tendência a arbitrariedade é grande.

OBS¹Eu não me surpreenderia se os evangélicos, agora no poder, começassem a usar o mesmo para prejudicar o catolicismo no país ou limitar a parca e quase inexistente influência católica no governo. A CNBB e a própria Igreja Católica poderá ter uma vida muito difícil nos próximos anos, com os evangélicos usando o poder estatal para se tornarem a religião dominante e quiçá oficial do país.


Do ponto de vista econômico, o atual governo não herda um paraíso, mas a situação nunca foi tão fácil para um presidente se criar. A reforma trabalhista já foi feita no governo Temer e, ao que parece, a previdenciária não tarda muito mais. Então, tendo apenas de passar a reforma da previdência com quatro anos pela frente, e com legitimidade das urnas, Bolsonaro tem a facílima tarefa de fazer o PIB passar de 1% (já faz dois anos que o PIB não chega a 2%), o que é algo que julgamos que ele e sua equipe de chicagoboys, poderão fazer com facilidade.

Os empecilhos serão, obviamente, um setor nacional-desenvolvimentista/nacionalista das FFAA, que já teve sua primeira baixa, o general Oswaldo Ferreira, será ainda a oposição a esquerda que deve congregar a terceira via neo-trabalhista de FHC e o que sobrar do tucanato (dado que parte vai pra direita), o vétero-trabalhismo de Ciro Gomes, e a esquerda identitária doente liderada pelo petismo.

Há ainda um possível contratempo a ser levado em consideração. As lambanças da política externa preocupam o setor produtivo nacional, em especial o agronegócio e a indústria que estão arrependidos de terem elegido Bolsonaro. Os primeiros, interessados no porte de armas para impedir os avanços do MST, agora começam a ver que o sionismo e o americanismo da teoria dos três poderes globalistas de Olavo de Carvalho, personificado no Itamaraty por Ernesto Araújo, colocam em risco a soberania brasileira no mercado árabe e chinês. Os últimos, vendo o completo desdém de Paulo Guedes pela indústria nacional e seu aceno as multinacionais americanas, sentem já que passarão o pão que o diabo amassou nas mãos do super-ministro da economia.

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Como Arthur Rizzi previu no podcast da Legião da Santa Cruz, existe um risco de mexicanização da economia brasileira, isto é, a indústria nacional deve ser progressivamente substituída pela indústria estrangeira, e que se a indústria nacional não piorar ainda mais  sua posição em termos de participação no PIB, aprofundando assim a desindustrialização, não deverá haver melhora no quadro atual, ficando estável nos valores atuais. Portanto, se contarmos apenas a indústria nacional, ela deve diminuir ou continuar no mesmo patamar. Porém, se pensarmos na possível invasão de multinacionais, deve haver uma desnacionalização da indústria, o que eu chamo de mexicanização da economia. Isto é, em termos gerais, haverá aumento de participação da indústria no PIB, mas se dando através da queda da participação da indústria nacional e o crescimento da indústria estrangeira. Essa conta industrial deve cobrar caro mais no longo prazo. As guinadas ideológicas na política externa, porém, se radicalizadas ainda mais, poderão cobrar no curto prazo.


A política externa deve seguir a linha olavista a partir de agora, isto é, ela se fundará na interpretação que Ernesto Araújo faz da teoria dos três poderes globalistas de Olavo de Carvalho, sinteticamente exposta no livro “Os EUA e a nova ordem mundial“, que foi um debate com o geopolítico russo Aleksandr Dugin, e também pode ser melhor aprofundada através do livro “O Jardim das Aflições“, o qual especialmente na sua edição mais recente, conta com uma entrevista com Silvio Grimaldo como apêndice, que é uma retificação da teoria do livro com uma créscimo que exime o ethos estadunidense tradicional da culpa pelo globalismo. Deverá haver uma influência forte de Guénon também nessa leitura, mas provavelmente, a linha olavista deverá se destacar mais.

Esta política externa pró-Israel e pró-Estados Unidos deverá gozar de grande apoio dos evangélicos sionistas, o que pode ser eleitoralmente um motivador para Bolsonaro aprofundá-la. Porém, os exageros nessa pauta podem isolar o Brasil do comércio mundial, o que será ruim para a economia. Tudo deverá depender de como essa pauta será tocada, se acriticamente, ou se de modo moderado porém eficiente. Se da segunda forma, não deve haver grandes prejuízos a economia.


Do ponto de vista das relações laborais, deverá haver uma  maior precarização das leis trabalhistas, o próprio Paulo Guedes circulou a ideia de uma carteira de trabalho verde-e-amarela, na qual o funcionário trabalha por “livre e espontânea vontade” sem nenhum dos direitos assegurados pela CLT. Óbvio que o “livre e espontânea vontade” fica entre aspas, pois sendo mais barato e estando o patrão em posição de vantagem, ele só contratará (nos mercados de competição perfeita e menos sofisticado) pela carteira verde-e-amarela, dado que o candidato a vaga não tem como “punir” o patrão do mesmo modo que o patrão o tem com a sua não contratação. A Folha de São Paulo mesmo publicou que Paulo Guedes achou a reforma Temer muito moderada e pró-trabalho e quer aprofundá-la tornando-a mais pró-capital. Se essas medidas lograrão êxito no congresso nacional ainda é incerto, mas pensando a longo prazo e pressupondo que vão, concluiremos que enquanto o crescimento econômico for favorável ao governo, isso deve amenizar o impacto de medidas tão anti-pobre quanto a citada, mas quando o “vôo de galinha” da economia acabar, há o risco de ocorrer uma desagregação ainda maior do que a atual, na qual há um país dividido no ódio, a distorção bolchevista do tecido social será uma consequência quase lógica. A completa ausência de direitos trabalhistas favorece a radicalização das massas, a ideologização das relações laborais e o espírito revolucionário.

Se isso prosseguir, quando o bolsonarismo acabar (porque ele vai acabar em algum momento), pode ser que troquemos um Olavo de Carvalho por um Nildo Ouriques, e aí a burguesia usurária e até a produtiva vai gemer.


Do ponto de vista da teoria das castas, da qual os autores que mais se destacam são Julius Evola, Roland Mousnier e mais recentemente David Priestland, o governo Bolsonaro representa uma aliança entre três setores bem definidos: a) a burguesia usurária (banqueiros e mercado financeiro); b) setor maçônico e frotista das FFAA; c) evangélicos neopentecostais e sionistas. Teremos, portanto, um governo weberiano por excelência.

OBS²: Para quem se diz antiglobalista essa base de apoio é muito internacionalista, e soa curioso como os que outrora tanto criticavam o internacionalismo, agora saúdam uma equipe liderada por banqueiros usurários, pela maçonaria verde-oliva, e por pastores neopentecostais que parecem amar mais a Israel e Estados Unidos que ao Brasil.

A desonestidade intelectual do Sr. Olavo de Carvalho

“Desonestidade intelectual é você fingir que sabe aquilo que não sabe e que não sabe aquilo que sabe perfeitamente bem.”

Olavo de Carvalho

A inépcia assombrosa de Olavo de Carvalho em assuntos relativos a economia e relações internacionais é conhecida de todos que o acompanham há algum tempo. Nem por isso o polemista fazedor-de-ministros perde a oportunidade de pontificar, com a maior arrogância possível, sobre esses e outros assuntos que ignora. Essa atitude demonstra, acima de qualquer dúvida, que é um homem intelectualmente desonesto segundo seus próprios critérios.

Em entrevista recente ao jornal O Estado de São Paulo, Olavo faz declarações tão estapafúrdias sobre a política e o comércio exterior brasileiros que a tentação é dizer, como fez celebremente o físico Wolfgang Pauli, que suas opiniões não estão sequer erradas. Não fossem ditas em uma publicação de grande circulação por alguém que lamentavelmente se tornou, neste triste momento brasileiro, uma das pessoas mais influentes do país, provavelmente seriam ignoradas como baboseiras indignas de qualquer atenção, exceto pelo seu caráter cômico.

Além dos seus já conhecidos expedientes de ofensas, desqualificações e mesmo ameaças ao interlocutor, Olavo dá diversos exemplos daquilo que o torna tão pernicioso ao debate público: enxurradas de informações falsas; uma ignorância vergonhosa acerca de conceitos elementares para qualquer cidadão bem informado; chutes infundados e hipóteses ad hoc sobre a realidade das relações exteriores do Brasil, aparentemente com o objetivo de encaixá-las à força em suas próprias interpretações, generalistas e excessivamente ambiciosas, da política internacional contemporânea.

Logo no início da entrevista, Olavo afirma que “o presidente (Donald) Trump disse que tem US$ 267 bilhões esperando para investir no Brasil”, dando a entender que essa cifra representa uma alternativa às nossas relações comerciais com a China. Na realidade, “Trump” não tem um único centavo “esperando” para investir no Brasil, pois o que está em questão são transações entre países, não entre governos. Com todo o respeito, um indivíduo que não sabe a diferença entre contas nacionais (transações de uma nação com outras) e contas governamentais (que dizem respeito a recursos públicos) deveria simplesmente abster-se de opinar com tamanha arrogância sobre economia internacional. Ademais, não se trata de “investimentos”, mas de uma estimativa otimista do quanto um acordo bilateral comercial com os Estados Unidos poderia propiciar, anualmente, em transações totais (de compra e venda) entre ambos os países. Portanto, esse valor não representaria, necessariamente, um “ganho” para o Brasil, muito menos uma possível alternativa ao comércio com a China, como se os governos pudessem escolher com quem as empresas dos seus países irão transacionar (crença curiosa, vinda de alguém que se diz adepto do liberalismo econômico mais estrito).

Em seguida, Olavo faz a afirmação risível de que a China só comercia com o Brasil porque nosso governo estaria “distribuindo dinheiro” para os “amigos” deles, mencionando Angola, Cuba e Venezuela, em um montante que supostamente totalizaria 1 trilhão de dólares. Como já vimos, trata-se de um indivíduo que não sabe diferenciar estoque e fluxo, muito menos contas governamentais e contas nacionais, portanto é impossível saber o que ele pretendeu dizer com “distribuindo dinheiro”, muito menos de onde tirou uma cifra tão impressionante, correspondente a mais da metade do PIB nacional. De qualquer forma, é ridículo atribuir o comércio sino-brasileiro a motivações ideológicas dos governos desses países. Talvez Olavo tenha dificuldade de entender que o mundo se move por considerações e necessidades que transcendem em muito as suas paranoias conspiratórias, mas a verdade é que esse comércio se deve à elevada complementariedade entre as duas economias. Cresceu apesar de, e não devido às, preferências políticas de seus governantes. É, na realidade, um exemplo típico da especialização comercial decorrente de vantagens comparativas e do livre-cambismo, doutrina defendida pelos economistas liberais desde David Ricardo e que Olavo supostamente endossa — embora, evidentemente, não compreenda.

A soja brasileira não foi comprada em peso pelos chineses porque o Partido Comunista do país estava feliz com as nossas boas relações com Cuba e Venezuela, mas porque seus numerosos criadores de suínos demandaram elevadas quantidades desse grão para alimentar seus rebanhos. O minério de ferro produzido pela Vale, por sua vez, foi um dos viabilizadores da urbanização acelerada da China — país paupérrimo em recursos minerais e dependente de imensas importações desses insumos para prosseguir com seu desenvolvimento. Note-se, ainda, que tanto em um caso como em outro estamos falando de bens indiferenciados (commodities) cuja cotação é determinada internacionalmente em mercados que se aproximam da situação teórica de concorrência perfeita. Portanto, na realidade, ninguém, muito menos o governo, “escolhe” de quem o país irá comprar baseando-se em critérios ideológicos. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais desses bens, e, por isso, foi beneficiado enormemente pela explosão na demanda por eles que o crescimento chinês proporcionou. Não fosse por esse crescimento, o Brasil seria hoje um país muito mais pobre, viveria crises recorrentes em suas contas externas e a formidável expansão do agronegócio — ironicamente umas das principais bases de apoio do governo Bolsonaro — jamais teria acontecido. Fica, então, a pergunta: já que Olavo acredita que o comércio com a China é “escravidão” e propõe que ele cesse — já que supostamente decorre apenas de uma “vantagem política” que irá acabar com o governo Bolsonaro — qual é a alternativa que sugere ao Brasil? Devemos esperar que “o Trump” venha comprar a nossa soja e o nosso minério, uma vez que a China saia de cena? Ou devemos aceitar ficar muito mais pobres, apenas para nos preservarmos de qualquer contato comercial com o perigoso “esquema russo-chinês”?

O show de absurdos não acaba aí. Pouco depois, Olavo afirma que a riqueza da China é “quase toda construída com dinheiro americano”. Ora, seria um exagero, porém mais próximo da verdade, dizer que isso é o inverso do que realmente ocorre. Pois são os Estados Unidos que têm déficits imensos em transações correntes há mais de 30 anos, beneficiando-se do privilégio exorbitante de serem os emissores da moeda de reserva internacional (Dólar). Isso significa, em jargão econômico, que os norte-americanos dependem da absorção de poupança externa para fechar suas contas e financiar seu crescimento. A China, em contraste, é um dos países que mais poupam no mundo; exatamente por isso se tornou exportador de capitais e está comprando tantos ativos em outros países. Em outras palavras, boa parte do consumismo norte-americano, frequentemente exaltado pelo senhor Olavo de Carvalho, é pago por poupança do resto do mundo, principalmente da China. É essa a razão, aliás, de os chineses serem hoje os maiores credores da dívida norte-americana. Mais uma vez, o oráculo da Virgínia demonstra a cegueira decorrente de seu fanatismo americanófilo e liberal-conservador, distorcendo os fatos com uma cara-de-pau impressionante.

Outro momento curioso da entrevista vem em seguida, quando Olavo afirma, indignado, que a China está “comprando o Brasil a preço de banana”. Aqui, pela primeira vez, estou de acordo com ele, ao menos no sentimento: de fato estamos criando um passivo preocupante com o país asiático. Porém, vindo de um defensor radical do governo Bolsonaro e de sua agenda de privatizações e liberalização econômica, essa preocupação é no mínimo intrigante. Afinal, quando se coloca à venda um ativo — ainda mais um ativo público, supostamente sujeito à impessoalidade do Estado — o comprador é aquele que dispõe de capital suficiente e oferece o melhor preço. Sendo o objetivo declarado da política econômica “atrair investimentos” — apresentados como a panacéia para os nossos problemas — o apetite dos capitais chineses merecia ser comemorado, não lamentado! Vejam, caros leitores, a irracionalidade (ou cinismo) dos atuais governistas brasileiros: colocam o país à venda e, em seguida, reclamam que ele está sendo comprado! Aparentemente, Olavo deseja criar uma regra ad hoc segundo a qual os capitalistas chineses, especificamente, ficariam impedidos de comprar estatais e ativos privados brasileiros. Só capitais “do bem” — suponho que norte-americanos e israelenses — seriam bem-vindos. Com a sua paranoia antichinesa, Olavo favorece os interesses norte-americanos e omite o que realmente está em jogo: não só “a China”, mas capitalistas de diversos países, estão “comprando o Brasil a preço de banana” pelo fato de terem a visão estratégia e de longo prazo que nossos governantes não têm.

Olavo de Carvalho não faz ideia do que está falando. Está  apenas empenhado, como sempre, em promover os interesses da pátria norte-americana que escolheu para si, agindo sem qualquer pudor, respeito pela realidade ou humildade intelectual. É — reitero — um homem intelectualmente desonesto segundo sua própria definição do termo. Em situações normais, seria merecedor apenas de risadas, mas, em vista do gravíssimo perigo que representa sua influência desmedida no atual momento brasileiro, não resta alternativa senão respondê-lo com seus próprios métodos:

CALA A BOCA, BURRO!


Ricardo Carvalho é economista formado pela Universidade de São Paulo (USP).

Igreja: Nem todos os padres conservadores apoiaram Bolsonaro

Durante as eleições ficou no ar a ideia de que a Igreja Católica estava dividida entre a ala esquerda apoiadora de Lula, Haddad e PT e a ala direitista ou conservadora apoiadora de Bolsonaro. Sem meios termos. Mas a verdade é que alguns padres conservadores não caíram no conto da sereia do Bolsonarismo. O Pe. Elílio Júnior, teólogo e comentarista de política expôs sua posição na internet recentemente acerca do proto-governo Bolsonaro.

Pe. Elílio Júnior*

Quem me conhece, sabe que nunca simpatizei com o Bolsonaro. Quando o conheci, há cerca de quatro anos, considerei-o um Tiririca um pouco melhorado. Ou mais um dos tantos deputados que usaram a política pra enriquecimento pessoal e familiar. Com efeito, ele nada fez de significativo em seus 7 mandatos de deputado federal, a não ser levantar vez ou outra a bandeira em favor da própria classe militar. Além, é claro, de falar muita besteira, como fazer apologia da tortura e elogiar o Comandante Ustra. Devo reconhecer, contudo, que se mostrou muito esperto ao saber aproveitar a crise política e econômica brasileira para surfar na onda e eleger-se. Fake news à parte! Não é agora que os brasileiros resolveram elegê-lo presidente que eu me vou tornar um puxa-saco dele. Não sou funcionário público federal (ainda que o fosse) nem dependo de nada diretamente da presidência da República.

Vou continuar sendo crítico do Bolsonaro como tenho sido há quatro anos. Dentro, é claro, dos limites da ética cristã e do bom-senso. Quem quiser brigar comigo por isso, estou disposto a perder amizades, afinal, na vida a gente tem pai e mãe, e mais um ou dois amigos verdadeiros. O resto é parente ou colega. Digo mais: Além de não simpatizar com Bolsonaro, não simpatizo com duas outras pessoas, que estão por detrás dele: Paulo Guedes e Olavo de Carvalho. Guedes, se conseguir atuar seu plano, privatizará a Caixa, o BB e a Petrobrás, além de colocar o ensino federal nas malhas da privataria e o Brasil na rota do modelo americano (mas Brasil é Brasil, com sua história e idiossincrasias  e EUA são EUA). Olavo de Carvalho, acho que dispensa comentários. É mais um ideólogo conspiracionista cheio de ideias estapafúrdias. Com relação à economia do Brasil, já temos sinais de que está se recuperando, embora a passos lentos. É bem provável que o curso de recuperação seguirá tranquilo.

Isso dará certa aprovação ao novo governo, pois o brasileiro está interessado sobretudo no bolso. A classe média só se revoltou ultimamente e colocou sua camiseta amarela porque o dinheiro no bolso diminuiu. Então, ao que tudo indica, teremos tempos de satisfação com Bolsonaro. Resta saber, depois, qual será o julgamento da história – esse, sim, mais certeiro – sobre o medíocre capitão que se tornou presidente do Brasil.


*Padre Elílio Júnior, sacerdote católico de linha ratzingeriana, é conhecido pela sua participação nas redes sociais indicando conteúdos filosóficos, teológicos e políticos. Tornou-se mais conhecido em um debate com Olavo de Carvalho no facebook.