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O mal menor – Eleição 2018

Muito se ouve falar em meios eclesiais em “votar no mal menor”, contudo, temos que nos lembrar que num mundo que já não conta mais com o reinado social de Cristo, escolher em eleições o caminho menos ofensivo á Doutrina Social da Igreja nem sempre é tarefa fácil. Primeiro porque nem sempre aquilo que um candidato diz em debate, em propaganda ou no seu programa de governo é necessariamente verdade. Segundo, porque em geral, todas as doutrinas políticas em voga (quando se tem alguma, pelo menos) são heréticas, de modo que escolher o mal menor nem sempre é algo que se visualiza num primeiro olhar.

Desde 2002 o Brasil passa por um momento muito esquerdista, com propaganda comunista às claras e o PT só não conseguiu chegar efetivamente ao socialismo – que deveria ser aplicado segundo os cânones do modelo bolivariano aplicado na Venezuela – porque não conseguiu desmontar a máquina fisiológica e matreira da dupla PMDB-PP. Dupla maquiavélica não no sentido pejorativo de maldoso, mas sim no sentido filosófico da palavra. Todo fisiologismo é um adesismo do poder, que é visto ou como fim em si mesmo, ou como meio de saquear o povo e pô-lo ao seu serviço. Seja de uma forma ou de outra, Santo Tomás de Aquino no De regimine principum (De regno) já havia demonstrado que estas são formas degeneradas de governo, pois não têm como fim o bem comum.

Além do mais, o socialismo já foi criticado em inúmeras encíclicas, seja como ideia ou ideologia, seja como caso concreto; através do qual posso citar tanto a Divini Redemptoris de Pio XI, ou ainda o Decretum contra communismum do Papa Pio XII, quanto na Notre Charge Apostolique em que há a condenação da parte de Pio X a um caso concreto na França de um movimento “socialista cristão”, o Sillón. Felizmente, a partir das afamadas “Jornadas de Junho” em 2013, o quadro começou a mudar.

Mas será que a alternativa que nasceu de 2013 que levaria aos protestos de 2015 e ao impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff e o fim de 13 anos de petismo representa o mal menor? Se observado em termos relativos, sim, sem dúvidas! Não há dúvidas de que EM CERTO SENTIDO MATERIAL a coalizão liberal formada pelo MBL, pelo EPL e pelos think tanks liberais como o Instituto Mises Brasil são menos ruins que o comunismo e o socialismo. Mas eles NÃO são o que há de menos ruim a disposição. Muitos ditos católicos são libertários ou liberais clássicos, adeptos do laissez faire promovido pelos supracitados grupos. Se esquecem, contudo, de que a Igreja condena fortemente o liberalismo, basta consultar as encíclicas Mirari Vos do papa Gregório XVI, Quanta Cura e Syllabus de Pio IX, Rerum Novarum de Leão XIII e Ubi arcano Dei consilio de Pio XI. E como já mostrei neste artigo que traduzi para a The Distributist Review, tal orientação não mudou após o Concílio Vaticano II. O papa Francisco outro dia mesmo reafirmou isso em advertência à vários bispos.

Ora, se liberais não são o caminho, qual é o caminho então? Depende! No Brasil temos hoje pelo menos quatro formas de pensar a política e especialmente a economia. Temos a decadente via socialista/comunista, que como já vimos é anticristã e quem a defende sabendo de todas as implicações filosóficas do marxismo, acaba excomungado lata sententiae. O liberalismo não está muito atrás, razão pela qual o muito prestigiado historiador Thomas Woods Jr; que escreveu o bom livro “Como a Igreja Católica construiu a civilização Ocidental“, acabou se tornando persona non grata para os católicos americanos, ao desdenhar e torcer e retorcer a lógica para inserir o liberalismo dentro da DSI e da escolástica, como em “The Church and the market“. Consta que recentemente o mesmo desistiu disso e passou a desdenhar a própria doutrina social e, inclusive, negar a infalibilidade papal nessa matéria. O que é muito triste, mas não deixa de ser uma amostra do que a adesão ao liberalismo pode fazer com um cristão. Para quem quiser mais informações a respeito, recomendo a excelente obra de Christopher A. Ferrara, “The Church and the libertarian” onde se refutam todas as falácias heréticas de Woods.

As outras duas alternativas que sobram é a economia social de mercado e um vago consenso keynesiano à brasileira (um nacional-desenvolvimentismo fiscalmente responsável). Os partidos que defendem uma terceira via econômica, a economia social de mercado são, a saber, o PSDB, o DC, o PSC, o PSL o PRB, o PHS e o DEM. O primeiro tem uma visão correta da economia, mas é adepto do progressismo moral. Pautas como aborto, casamento homossexual, liberação da maconha, entre outras coisas nos impedem de aderir a este partido excepto em último caso. O DEM parece ter uma visão menos progressista nessa matéria e sua proposta é de terceira via, e, portanto, pode ser uma alternativa factual. O problema, porém, é que o partido está quase sempre numa coligação com o PSDB, o que inviabiliza sua candidatura não só a pleitos nacionais, da qual não participa independentemente a mais de 25 anos, mas também em locais, onde quase sempre está a reboque dos tucanos.

PSC, PSL PRB, PRTB, Patri, PHS e DC são os partidos que mais têm compromisso com pautas cristãs, o primeiro, porém, está cada vez mais adepto do liberalismo econômico e é dominado por evangélicos, mas se constitui ainda assim, num mal menor. A sua adesão gradativa a um liberalismo econômico cada vez mais radical é preocupante, contudo.O PSL de Bolsonaro é a mesma coisa, talvez até pior pois o liberalismo é mais escancarado. Contudo, muito se questiona acerca do quão longe vai esse affair Paulo Guedes e Bolsonaro. Um affair que ninguém pediu, que ninguém queria, e que se Deus quiser vaia acabar. PHS e DC mantêm suas bandeiras tradicionais, mas são partidos nanicos e de nicho, o que torna difícil que alguém proponha uma economia social de mercado com chances reais de vencer. Mas se você tiver a sorte de encontrar os dois últimos em pleitos independentes, vote neles. O caso do PRB é ainda mais complicado, pois é um partido associado à tenebrosa igreja Universal do reino de Deus do bispo Macedo. O PRB, ainda por cima se afasta um pouco da ESM em sua doutrina econômica, já que tende mais a um keynesianismo vulgar do que à terceira via.  Contudo, todos os quatro, em vista de socialistas do PT, PSOL, PCdoB e ultraliberais como os candidatos do MBL, do NOVO são males menores.

A economia social de mercado tem sido a única apoiada pela Igreja de maneira mais enfática dentro do capitalismo, tanto o papa Francisco, como João Paulo II, segundo Thomas Storck, professor de Doutrina Social da Igreja, a tem apoiado formalmente.

PMDB, PSD, PP, SD, o PRTB, o Patri além de outros partidos são adeptos do pensamento keynesiano; PMDB, PSD e SD são novos keynesianos, PP, herdeiro da ARENA, é adepto do “desenvolvimentismo conservador”, razão pela qual foi talvez um dos maiores adeptos do social-desenvolvimentismo que o PT implantou a partir do segundo governo Lula. O PRTB, em coligação com o PSL, e o Patri despontam como um nacionalismos de direita keynesianos, são alternativas que se afastam da ESM, mas são ainda assim aceitáveis. O pensamento keynesiano está um pouco afastado da DSI quando comparado à economia social de mercado, mas na sua versão novo-keynesiana é aceitável e têm pontos de intersecção muito interessantes. O keynesianismo desenvolvimentista se afasta um pouco mais e, portanto, só deve ser escolhido caso as alternativas seja o socialismo/comunismo ou o liberalismo radical. Há ainda, uma vertente que, com os devidos ajustes é similar ao novo-keynesianismo.

Portanto, votos para a presidência em Bolsonaro (PSL), Cabo Daciolo (Patri) e Eymael (DC) são votos justificados moralmente, não obstante apenas o voto em Jair Bolsonaro ser recomendável na situação presente, por sua situação mais favorável no pleito político. Contudo, quem quer que se decida pelos dois primeiros não está de modo algum, deslegitimado.

O professor de teologia moral da Universidade do Texas e especialista em Doutrina Social da Igreja, John Médaille, em seu artigo para a The Distributist Review, The Politics of Ingratitude“, pontuou que o católico entre um liberal clássico e um keynesiano moderado ou entre um socialista/comunista e um keynesiano moderado ou desenvolvimentista, deve optar pelo keynesiano, pois se ele erra no entendimento do bem comum pelos princípios utilitários, ao menos acerta nos fins e nas intenções.

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Bolsonaristas deveriam ficar felizes, mesmo com um segundo lugar.

Créditos ao Ig pela imagem.

Arthur Rizzi*

Tenho visto amigos que votam e fazem campanha por Bolsonaro um pouco preocupados com a ascensão de Haddad (PT) e o teto aparente dos 33% no qual o peesselista bateu. Verdade também que não são todos, uma grande parte (talvez a maior parte) deles está tão entusiasmada no clima de “já ganhou”, que comentários acerca de vitórias fáceis e massacrantes no primeiro turno são vistas com frequência. Em que pese o irrealismo de tal empolgação, é visível ao observador mais cautelosos que Haddad se constitui em ameaça real ao peesselista, e que o bolsonarismo não logrou êxito em ralear o apoio a qualquer um que carregue o carimbo na testa de “apoiado por Lula”, sobretudo no nordeste onde criticar ex-presidente em público constitui-se quase em risco de vida.

É factual também Bolsonaro vencer (quer seja no primeiro ou no segundo turno), é o resultado mais desejável da perspectiva deles. mas existem boas razões para ficar feliz mesmo com uma derrota.

1- Nosso sistema eleitoral é de voto direto – Muito se objeta a hipótese de um Bolsonaro derrotado no segundo turno aos erros das pesquisas nas eleições americanas. Esquece-se entretanto, que o nosso sistema eleitoral é de voto direto e não tem a intermediação de um colégio eleitoral. Neste ponto, ele se assemelha mais ao modelo francês, onde a candidata equivalente a Trump e Bolsonaro, Marine Le Pen, perdeu as eleições no segundo turno.

2- O exemplo de Le Pen deveria motivá-los – Em caso de derrota (afinal, trata-se de hipótese, pois como diz a máxima “lambari é pescado e jogo é jogado”), o cenário não é totalmente de catástrofe. Afinal, os bolsonaristas e conservadores aguentaram 13 anos de representação “social-bundamolista” do PSDB. Ter este em baixa e o PSL assumindo a posição de partido médio guiado pela práxis bolsonarista, e principal veículo de oposição, constitui num cenário muito melhor para eles do que o dos últimos 13 anos.

Deve-se levar ainda em consideração, que o congresso herdado de 2014 foi intitulado pela mídia como “o mais conservador desde 1964”. E a verdade é que tem tudo para ficar ainda o mais conservador, talvez sugira-se a mídia intitulá-lo de “o mais conservador desde as côrtes afonsinas”. Ou seja, o bolsonarismo terá facilidade para montar uma frente anti-petista no congresso nacional.

Do mesmo modo que a mídia francesa não dormiu tão aliviada quanto gostaria com a vitória de Macron, há boas razões para a grande mídia ficar preocupada com a derrocada do tucano-petismo dos últimos 13 anos. Afinal, sair do “baixo clero” do congresso nacional, ascender politicamente com um discurso considerado pelos luminares do bom-mocismo como “autoritário e extremista”, e chegar a segundo lugar numa eleição presidencial humilhando um partido que governou o Brasil por 8 anos, é algo extremamente significativo. Longe de uma derrota real, um segundo lugar para Bolsonaro seria ainda uma grande vitória.

3- 2022 ta aí… – Eu me lembro como se fosse ontem de Dilma passando mal após o debate do SBT, no qual Aécio a espremeu muito bem. Então, os bolsonaristas não deveriam se preocupar em esperar até 2022, 4 anos são mais rápidos do que parecem ser. Se Haddad fizer mau governo – e tem tudo para fazer – com uma oposição eficiente, o bolsonarismo é candidato natural e favoritíssimo ao planalto em 2022, mais favorito do que hoje, inclusive.

*Arthur Rizzi é contribuinte oficial da Reação Nacional, formado em história pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), eleitor de José Maria Eymael, e com boa vontade de ajudar os bolsonaristas a serem mais otimistas, mesmo na adversidade.