Como o distributismo pode explicar a crise do governo Dilma: Dados e conclusão.

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Alguns dados para efeito comparativo.

É de suma importância comparar alguns dados para avaliar os passos do governo, desde o seu primeiro dia de mandato até o último, já que a maior parte das críticas ao programa econômico da Dilma Rousseff vinculadas nos meios tradicionais derivam-se do caráter ‘faltou usura’, quando na verdade podemos constatar que o que levou a crise ao Palácio do Planalto foi a usura desenfreada.

Antes dos números é importante apontar o abismo ocorrido entre política fiscal e política monetária, não houve correlação alguma entre as políticas praticadas pelo Banco Central e as políticas praticadas pelo Ministério da Fazenda, uma vez que o ajuste fiscal não obteve êxito no congresso, sendo assim, a expansão de gastos públicos continuaram, mas com os juros altos, o que acarretou uma inflação no médio prazo e o aumento da dívida pública no longo prazo, tudo isso sendo financiado com juros extorsivos.

Num determinado momento do segundo governo Dilma Rousseff, tivemos juros altos, desemprego e uma inflação crescente, essas três combinações num só momento.

Dilma assume o governo com a taxa básica de juros em 10,75%. Dilma Rousseff deixou o governo com a taxa básica de juros em 14,25%[1].

Juro que é o preço do dinheiro, subiu, então o dinheiro encareceu, sendo assim quem detém mais capital, os mais abastados da sociedade acabam se benefiando disso, ao passo que é mais benéfico deixar o dinheiro rendendo numa aplicação desejável com riscos inibidos do que se aventurar no capital produtivo com uma economia em marcha lenta. Ou seja, aquele que não tem capital, mas quer se aventurar no capital produtivo, acaba tendo que tomar empréstimos a juros maiores do que quando a presidente assumiu em janeiro de 2011.

O dólar cotava-se R$1,65 no dia que Dilma Rousseff tomava posse como presidente da república[2] O dólar fechou R$3,23 no dia do afastamento, dia 31 de agosto de 2016, tendo chegado a R$4,15 em janeiro do mesmo ano[3].

Desde o primeiro dia que Dilma Rousseff tomou posse até o seu último dia enquanto Presidente do República, a moeda teve uma desvalorização brutal, vamos aos exemplos: o salário mínimo quando Dilma tomou posse era de R$ 540,00 com o dólar a R$ 1,65, isso resultaria em um salário mínimo de US$ 327,27. Quando deixou o governo o salário mínimo era de R$ 880,00 com o dólar a R$ 3,23, isso resultaria em um salário mínimo de US$ 272,44. Durante o segundo mandato o salário mínimo passou por US$ 212,04[4].

A Inflação de 2010, ano anterior a posse de Dilma Rousseff foi de 5,91%[5]. Inflação do primeiro ano do governo Dilma já empossada, em 2011, foi de 6,50%[6]. A Inflação acumulada dos últimos doze meses em relação a agosto de 2016, quando Dilma Rousseff deixa a Presidência da República foi de 8,97%[7].

Saímos  da meta de inflação, o que significa que estivemos no mínimo num sinal de alerta, diante desse quadro de emergente inflação que é a alta generalizada dos preços, somando-se com a perda do poder de compra do salário mínimo e a alta nos juros visando conter a inflação, tivemos o cenário perfeito para a caracterização de usura.

Com os gastos públicos desajustados, com os juros elevados, estivemos num cenário de aumento da dívida bruta. A dívida bruta do governo geral brasileiro em janeiro de 2011 era de 52,4%. A dívida bruta em agosto de 2016 é de 69,3% em relação ao PIB[8].

Houve uma alta na taxa básica de juros e uma alta na dívida pública geral, somando as duas circunstâncias temos automaticamente o aumento da usura, ocorrendo uma migração do capital produtivo para o capital especulativo, desvalorizando quem produz e trabalha em benefício daquele que parasita e especula, indo completamente contra os princípios cristãos da doutrina do preço justo, como diz os versos do poeta Ezra Pound “com usura nenhum homem tem um paraíso pintado na parede de sua igreja[9].

Claro que seria um injustiça tremenda caracterizar somente o governo de Dilma Rousseff como usurário, todos os governos inseridos na lógica liberal são usurários em maior ou menor escala, mas este trabalho visa compreender justamente a última grande crise econômica e política do Brasil que por ventura ocorreu durante do segundo mandato de Dilma Rousseff.

4- Conclusão:

O que poderia evitar o trágico desfecho que levou a economia brasileira a atual situação? O retorno à sabedoria escolástica e pré-moderna da doutrina do preço justo. As taxas de lucros, as taxas de salários, as taxas de câmbio, de inflação e juros devem estar posicionadas de modo compatível com o bem de todo o tecido social. Os preços de mercado não são capazes de fazer isso por si só, isto demanda uma ação técnica do governo em ordem de equilibrar de modo compatível com a economia de mercado as condições básicas para o crescimento da economia. Como Christopher Ferrara (2010, p.141) relembra, a visão católica do preço justo vai na contra-mão dos modelos usurários: “In sum, the Catholic “social estimate” of the just price was not some free-floating, subjectively determined “market price” or negotiated spot price in the modern sense”.  O preço justo deveria observar, segundo Ferrara (2010, p.143), outras questões: “the ability and capacity of the producers, and the poverty of the region where the good is produced[…]”.

Qual o preço justo do salário? O que permite às famílias viverem bem dentro da melhor situação que aquela economia oferece sem prejuízos às empresas locais e de modo que o todo (bem comum) seja beneficiado ao longo do tempo, como demonstrado tanto na Quadragésimo Anno de Pio XI e no Compêndio de Doutrina Social da Igreja. O que escapa a isso, como o ganho salarial injusto, ou o ganho de lucro injusto, ou o ganho de dividendos injustos, ou ainda o rentismo que nada mais é que o ganho injusto de renda com base em especulação (pump and dump[10]).

Enfim, tudo isso nada mais é que um conjunto de falhas graves contra a justiça distributiva e, portanto contra o bem comum. E esse é o fruto pernicioso da usura.

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Referências bibliográficas:

BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Reação Nacional: Não basta reformar o Estado – diz Bresser-Pereira. Disponível em: <www.reacaonacional.wordpress.com/2019/02/18/reformar-o-estad-nao-basta-diz-bresser-pereira/> acessado em: 06/03/2019.

CHASE, Richard; EICHNER, Alfred et al. A guide to post-keynesian economics: production theory. New York: Macmillan Press, 1979.

FERGUSON, Niall. A lógica do dinheiro: riqueza e poder no mundo moderno 1700-2000. São Paulo: Editora Record, 2007.

FERRARA, Christopher. The Church and the libertarian: a defense of the Catholic social teachings on man, economy and State. Forest Lake: Remnant Press, 2010.

FERRARI, Hamilton. Correio Braziliense: Prévia da inflação registra o índice mais baixo desde o Plano Real. Em 23/01/2019.

GALA, Paulo. Complexidade econômica: uma nova perspectiva para entender a antiga questão da riqueza das nações. Rio de Janeiro: Editora contraponto/Celso Furtado, 2017.

IGREJA CATÓLICA. Compêndio de Doutrina Social da Igreja. São Paulo: Editora Paulina, 2005.

LUCAS, Wellington Gomes. O panorama socioeconômico brasileiro e suas relações com a Economia Social de Mercado: O tripé brasileiro em xeque. Rio de Janeiro: KAS, 2014.

MÈDAILLE, John. Toward a trully free market: a distributist perspective on the role of government, taxes, healthcare, deficits and more. Wilmington: ISI Books, 2010.

MINSKY, Hyman. Bard: The Debt deflation of great depression. 1994 – pode ser encontrado disponível em <www.digitalcommons.bard.edu/hm_archive/159> acessado em 06/03/2019.

NETTO, Antônio Delfim. Planejamento para o desenvolvimento econômico. São Paulo: Editora da USP, 1966.

OREIRO, José Luís. Macroeconomia do Desenvolvimento: uma perspectiva keynesiana. Rio de Janeiro: LTC, 1998.

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BANCO CENTRAL DO BRASIL. Série histórica da Dívida líquida e bruta do governo geral (metodologia vigente a partir de 2008). Disponível em <https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/legado?url=https:%2F%2Fwww.bcb.gov.br%2Fhtms%2Finfecon%2FseriehistDLSPBruta2008.asp&fbclid=IwAR1qNh-Q86kXKtwnRu9BPETEXX8-vEc9gKNbDoOa_wMzkphhP2mvmXtcKVk> acessado 10/03/2019

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IDEAL SOFTWARES. Índices Econômicos – Dólar Comercial 2016. Disponível em: <http://www.idealsoftwares.com.br/indices/dolar2016.html?fbclid=IwAR2ouu7g-onYqqIMCUmbsWuVBbUoh3pvBEEELN20XHWPsnS3438olMQNkoA> acessado em: 09/03/2019.

SALÁRIO MÍNIMO. Tabela histórica dos valores do Salário Mínimo. Disponível em: <https://www.salariominimo.net/salario-minimo/?fbclid=IwAR3os3-ft8X1nwughY0eo8NZU6X1Xz-y1ShItD0zYE3ZkvH5ES1E5lnHIPo> acessado em: 09/03/2019.

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G1. Inflação fecha 2011 em 6,50%, no teto da meta do BC. Disponível em <http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/01/inflacao-fecha-2011-em-650-no-teto-da-meta-do bc.html?fbclid=IwAR2VXg3bu71S5VrqFqmGLXUiWrJJF7v3nxuD7GwJ8L0CRGnlJCOegmLUMNI>


Notas de rodapé:

[1] Cf. Banco Central do Brasil. Taxas de juros básicas – Histórico. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/historicotaxasjuros?fbclid=IwAR1_TkLI7RTYjN8XfVJ7VA9U4Oztfxu3gMrp_EWxPQfG2010giaU3Tde1FI> acessado em: 09/03/2019.

[2] Ideal Softwares. Índices Econômicos – Dólar Comercial 2011. Disponível em: <http://www.idealsoftwares.com.br/indices/dolar2011.html?fbclid=IwAR0DNrrUOzmBHu-7–UktVbu8rQH3z06tpezSl3kLGsshsO70lz8m-kQrqk> acessado em: 09/03/2019.

[3] Ideal Softwares. Índices Econômicos – Dólar Comercial 2016. Disponível em: <http://www.idealsoftwares.com.br/indices/dolar2016.html?fbclid=IwAR2ouu7g-onYqqIMCUmbsWuVBbUoh3pvBEEELN20XHWPsnS3438olMQNkoA> acessado em: 09/03/2019.

[4] Salário Mínimo – Tabela histórica dos valores do Salário Mínimo. Disponível em: <https://www.salariominimo.net/salario-minimo/?fbclid=IwAR3os3-ft8X1nwughY0eo8NZU6X1Xz-y1ShItD0zYE3ZkvH5ES1E5lnHIPo> acessado em: 09/03/2019.

[5] Estadão. Inflação oficial fecha 2010 com alta de 5,91%, maior nível em 6 anos. Disponível em <https://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,inflacao-oficial-fecha-2010-com-alta-de-5-91-maior-nivel-em-6-anos,50084e?fbclid=IwAR2SvmpmFQKG6amIrx5Y3rrbbhGN7C7QmfS-FRburMzluBVJDVz1-8mlpbo> acessado em: 09/03/2019.

[6] G1. Inflação fecha 2011 em 6,50%, no teto da meta do BC. Disponível em <http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/01/inflacao-fecha-2011-em-650-no-teto-da-meta-do-bc.html?fbclid=IwAR2VXg3bu71S5VrqFqmGLXUiWrJJF7v3nxuD7GwJ8L0CRGnlJCOegmLUMNI> acessado em 09/03/2019.

[7] ADVFN News. IPCA em Agosto de 2016: inflação acumula alta de 8,97% nos últimos doze meses. Disponível em <http://br.advfn.com/jornal/2016/09/ipca-em-agosto-de-2016-inflacao-acumula-alta-de-8-97-nos-ultimos-doze-meses?fbclid=IwAR28MiiGvCLU1d1aFyAYGX4ep0EvR1sIOiAE_YdWxVHVBnUGPtAA7-1dAPk> acessado em 09/03/2019

[8] Banco Central do Brasil. Série histórica da Dívida líquida e bruta do governo geral (metodologia vigente a partir de 2008). Disponível em <https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/legado?url=https:%2F%2Fwww.bcb.gov.br%2Fhtms%2Finfecon%2FseriehistDLSPBruta2008.asp&fbclid=IwAR1qNh-Q86kXKtwnRu9BPETEXX8-vEc9gKNbDoOa_wMzkphhP2mvmXtcKVk> acessado 10/03/2019

[9] POUND, Ezra. Legio Victrix: Com Usura (canto XLV). Disponível em <https://legio-victrix.blogspot.com/2010/12/canto-xlv-with-usura.html> acessado em 10/03/2019

[10] Pump and dump é uma gíria do mercado financeiro para se referir a um player do mercado que compra uma ação desvalorizada em grandes quantidades para inflar seu preço (pump/bombear) e depois vender esse estoque na alta para tirar grandes lucros às custas de playeres menores, desvalorizando a ação (dump/deixar cair).

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Sobre os cortes e a Reforma da Previdência

por Raphael Mirko

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Mais uma vez me vejo obrigado a palpitar sobre o que está ocorrendo na nação brasileira:

Como todos sabem sou defensor de uma autocracia autárquica centralizada, mas ao mesmo tempo é necessário ter a ciência de que a chance de isso ocorrer agora é igual a zero, portanto vamos para a prática. Um modelo econômico que tem me atraído bastante é o da Bolívia, por conta do seu alto crescimento com uma média superior aos 5% há mais de cinco anos (mais que os Estados Unidos), e com responsabilidade fiscal, engana-se quem pensa que o Estado boliviano é um Estado gastador, talvez os ‘Eduardos Moreiras’ da vida deveriam parar de tentar lacrar a todo instante na economia, sentar numa cadeira e debruçar-se sobre a situação fiscal do Brasil, deixando o argumento de autoridade de lado, como por exemplo o de que foi eleito um dos três melhores economistas do Brasil, até porque foi considerado por uma revista que meia dúzia pessoas leem, então esse argumento de autoridade não deveria funcionar, segundo que essa imagem de “ex banqueiro bonzinho” também não cola, o objetivo dele é ser viabilizado politicamente. Acontece que o governo federal vem fazendo uma série de cortes em várias áreas, as principais são as áreas da educação que foram R$7,4 bi e R$5,8 bi nas forças de defesa (para citar apenas as que caíram na mídia), importante lembrar que não são cortes definitivos, são contingenciamentos, ou seja, esse dinheiro poderá voltar para essas áreas assim que o orçamento for colocado dentro do teto de gastos.

Por que o Bolsonaro está cortando das forças de defesa da nação, sendo que foi um dos pilares que o ajudou a ser eleito? Você é ingênuo assim mesmo a ponto de achar que de fato ele está cortando despesas da educação superior por conta da maconha do playboy no campus e a sodomia generalizada? Eu acredito que você lacrador seja ingênuo sim a esse ponto e está se achando o perseguido político apenas por ‘dar uns tragos’, mas vamos lá, essa é a retórica que o governo usa para convencer a massa acéfala de apoiadores e ao mesmo tempo causar indignação no homem-bovino (isso ele sabe fazer muito bem), mas a verdade é que existe um teto de gastos para o déficit primário que seria de R$139 bi proposto pela Lei de Diretrizes Orçamentárias e para passar desse limite seria necessário uma aprovação do congresso, caso contrário o presidente poderia ser enquadrado na lei de responsabilidade fiscal, podendo gerar um pedido de impeachment já no primeiro ano de governo. E para evitar isso o governo está cortando de todas as áreas. E o mesmo projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias autoriza um déficit de R$110 bi para 2020, ou seja, o déficit imposto é menor que o deste ano e ao que tudo indica a situação fiscal em 2020 será pior, então se preparem para mais cortes em diversas áreas, se querem aliviar tudo isso, roguem pela reforma da previdência, um Estado só pode se desenvolver com dinheiro em caixa, antes de compartilhar notícia amalucada de que a Alemanha está investindo 160 bilhões de euros entre o período de 2021 a 2030, lembre-se de como é a previdência lá, lembre-se também da produtividade do trabalhador alemão e não esqueça que a carga tributária sobre a renda lá é a segunda maior do mundo e mesmo assim em proporção INVESTIMENTO x PIB, o Brasil investe mais em educação que a Alemanha. Não adianta ter a produtividade igual a de um iraquiano, impostos inferiores aos de Suécia, Alemanha e Reino Unido e querer ter um estado de bem-estar social igual ao dos escandinavos, não vai acontecer, primeiro vai ter que enriquecer, depois poupar e só por último gastar.

Qualquer um que se intitule nacionalista e diga que não há déficit na previdência, ou é débil mental ou simplesmente não é nacionalista, qualquer desenvolvimento nacional precisa de dinheiro.

De início era contra os cortes na educação, mas depois que vi doutores se pronunciando sobre isso sem saber fazer razoavelmente as quatro operações básicas, já que o sujeito é ao mesmo tempo contra a reforma da previdência e contra os cortes e não aponta outra saída para termos recursos (é matematicamente impossível manter os gastos sem que tenha a reforma), isso só deixou claro que a dinheirama investida em educação nos últimos anos não trouxe tanto retorno prático assim.

A verdade é que necessitamos urgentemente da reforma previdenciária, se é essa ou outra podemos discutir numa outra oportunidade, mas que precisamos, precisamos!

REFERÊNCIAS: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-41753995

https://www.gazetadopovo.com.br/politica/republica/os-r-250-bilhoes-que-deixam-bolsonaro-nas-maos-do-congresso-88gfr5vs0fmclqiipbfmttgp8/?fbclid=IwAR3Cp_vSbn3JPWnFn_rgl3zkHg4pINUsZtrWYuuPlspj52Wc-sET8qz6Uzs

https://g1.globo.com/economia/noticia/governo-propoe-manter-meta-de-rombo-de-r-139-bi-em-2019-e-ve-alta-de-3-no-pib.ghtml

https://g1.globo.com/educacao/noticia/2019/05/08/alemanha-anuncia-160-bilhoes-de-euros-para-universidades-e-pesquisa.ghtml

https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/impostos/noticia/4859544/paises-com-maior-imposto-renda-mundo

https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/percentual-do-pib-brasileiro-dedicado-educacao-maior-do-que-em-paises-desenvolvidos-22858629

Raphael Mirko – Observações acerca das mercadorias fictícias – uma visão de Karl Polanyi

por Raphael Mirko

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Primeiramente Polanyi busca traduzir os sistemas econômicos e as sociedades em épocas distintas, como por exemplo: o feudalismo, o mercantilismo e o capitalismo contemporâneo.

Polanyi escreve sobre isso em 1944, no seu livro “A Grande Transformação As origens da nossa época”. Ou seja Polanyi viu e provavelmente estudou sobre a grande crise de 1929, apesar dele não demonstrar explicitamente no livro, ele esboça com clareza os problemas de um mercado “autorregulado” que desaguou na crise de 1929. Então Karl Polanyi descreve que nas sociedades mais antigas, o mercado era um mero acessório de vida e não a atividade principal, basicamente porque nestes sistemas anteriores ao capitalismo, a terra não era uma mercadoria fictícia, ela era um capital, produto de “investimento” e não de especulação, no caso do feudalismo, e no mercantilismo a terra também não detinha um caráter especulativo, apesar da estrutura comercial que estava por emergir. Assim como a moeda se torna uma mercadoria fictícia no capitalismo moderno, quando anteriormente ela cumpria apenas a função de instrumento de troca e poder de compra de um produto, produto esse que não era produzido em escala, produto esse que era produzido artesanalmente, no caso do feudalismo, portanto o comprador esperava pela mercadoria e não o contrário, então a flutuação de preços era quase inexistente nesses casos, uma crise de superprodução era impossível. Esses “problemas” passaram a surgir somente com o advento da Revolução Industrial.

Com a Revolução Industrial passamos a ter a produção em escala, passamos a ter a lógica de que o trabalho também é uma mercadoria, ou seja, também passamos a ter a ideia da lei de oferta e demanda, vamos aos exemplos:

Quando um homem sentia a necessidade de comprar um novo par de sapatos durante a idade média, ele teria de ir até o sapateiro, encomendar o seu produto para que ele fosse feito manualmente.
Na sociedade de mercado, após a revolução industrial, os pares de sapatos passaram a ser produzidos em escala, não mais o cliente esperava pela mercadoria, a mercadoria esperava pelo cliente. Com isso, quando havia uma superprodução, havia logicamente uma queda generalizada nos preços de sapatos e quando havia uma grande procura pelos pares de sapatos, ou seja, mais pessoas querendo comprar pares de sapatos que estariam sendo vendidos no mercado, o preço dos pares de sapatos tenderiam a subir. Com isso, o risco para os donos dos meios de produção dentro de uma sociedade de mercado, eram drasticamente maiores e mais instáveis.

Para Karl Polanyi o liberalismo é completamente desconectado da natureza do homem, já que tudo é transformado em mercadoria, quando me refiro a “mercadoria”, quero dizer algo que existe para ser vendido, desde a mão-de-obra do trabalhador, o que poderia originar um caos, devido a sua insatisfação, passando pela mercadoria fictícia da terra e da moeda.
“Despojados da cobertura protetora das instituições culturais, os seres humanos sucumbiriam sob os efeitos do abandono social; morreriam vítimas de um agudo transtorno social, através do vício, da perversão, do crime e da fome.”¹

Mas qual o problema de tudo ser transformado em mercadoria fictícia? O problema é que quando algo se transforma em mercadoria, ela deixa de ser um direito, porque todos passam a interpretá-la como um meio direto ou indireto para o lucro.

Polanyi também era um crítico da extrema exploração ecológica, alertando para a possível revolta que a natureza poderia ter contra o homem que a explora visando o lucro desenfreado.
“A natureza seria reduzida a seus elementos mínimos, conspurcadas as paisagens e arredores, poluídos os rios, a segurança militar ameaçada e destruído o poder de produzir alimentos e matérias-primas.”²

Mas sem sombra de duvidas, deposito na conta da moeda o agente de mercadoria nefasta, uma vez que ela alimenta e se alimenta da especulação que acaba conduzindo à bolhas, bolhas que quando estouram, acabam desaguando no consumo, no crédito e no desemprego. Isso também ocorre com as bolhas imobiliárias que são cada vez mais comuns no ciclo doentio do capitalismo moderno que trabalha na lógica de “boom and bust”.

Polanyi ao longo de sua obra também alerta para as regulações de mercado que cresceram conforme foi expandindo a própria economia, quebrando o mito de “anarquia de mercado” que imbeciloides de gabinete defendem com unhas e dentes, jogando na lata do lixo toda a história econômica do capitalismo.

Parafraseando Perón, sem exatidão, não existe livre mercado, ou ele é controlado pelo Estado ou pela plutocracia.

REFERÊNCIAS
¹.pg 79 “A Grande Transformação As origens da nossa época”
².pg 79 “A Grande Transformação As origens da nossa época”

Criptomoedas e suas características – NANO – Raphael Mirko

por Raphael Mirko

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Nano é a antiga Raiblocks, é uma moeda com um proposta inovadora até mesmo no ramo das criptomoedas, já que é uma moeda que não depende de mineração, escalabilidade quase ilimitada, não inflacionária, sem taxas e com transação instantânea, estamos falando de uma moeda com características perfeitas para ser um meio de pagamento, afinal quando se utiliza moeda fiduciária para comprar alguma mercadoria, o pagamento é rápido e sem taxas, com a Nano também é assim.

Site https://nano.org

Não recomendamos nenhum tipo de investimento em nenhum ativo, tratamos apenas das características deles. 

Criptomoedas e suas características – Crypterium – Raphael Mirko

por Raphael Mirko

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O Token Crypterium foi lançado via ICO (Oferta Inicial de Criptomoeda), podemos afirmar que foi um ICO de sucesso, já que superaram a expectativa de arrecadação, ao todo foram arrecadados mais de US$51 milhões.

O projeto Crypterium vem com a ideia de ser um criptobanco com um aplicativo onde as pessoas poderão realizar pagamentos, transferências, armazenamento de criptomoedas, até o momento o aplicativo suporta Bitcoin, Ethereum, Litecoin e o próprio token Crypterium, também há a possibilidade de transação de moedas fiduciárias e conversão de moedas fiduciárias para criptomoedas e vice-versa.

O token Crypterium, cuja abreviação é CRPT é um token que se utiliza e foi feito na plataforma Ethereum, portanto pode ser armazenada na maior parte das carteiras que suportam Ethereum.

O aplicativo já encontra-se disponível para Android e iOS, para adquirir o token Crypterium, pode ser via corretoras que negociam o token, as corretoras são as seguintes: Liquid, Kucoin, CoinFalcon, Tidex, IDEX, HitBTC e DDEX.

 

 

 

Site Oficial do Token: https://crypterium.com

Não recomendamos nenhum tipo de investimento em nenhum ativo, tratamos apenas das características deles. 

Católico anarcocapitalista? Perversão ou Ignorância?

por Raphael Mirko e Victor.S

Está terminantemente proibido brincar de católico e ser libertário ao mesmo tempo. Com a palavra, o Vaticano: “Tal é, com efeito, o ofício da prudência civil e o dever próprio de todos aqueles que governam. Ora, o que torna uma nação próspera são os costumes puros, as famílias fundadas sobre bases de ordem e de moralidade, a prática e o respeito da justiça, uma imposição moderada e uma repartição equitativa dos encargos públicos, o progresso da indústria e do comércio, uma agricultura florescente e outros elementos, se os há, do mesmo gênero. Todas as coisas que não se podem aperfeiçoar, sem fazer subir outro tanto a vida e a felicidade dos cidadãos (…) o Estado deve servir o interesse comum” — Carta Encíclica Rerum Novarum, redigida pelo Papa Leão XIII.

FONTE: http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum.html

“É certo que por muito tempo pôde o capital arrogar-se direitos demasiados. Todos os produtos e todos os lucros reclamava-os ele para si, deixando ao operário unicamente o bastante para restaurar e reproduzir as forças. Apregoava-se, que por fatal lei econômica pertencia aos patrões acumular todo o capital, e que a mesma lei condenava e acorrentava os operários a perpétua pobreza e vida miserável. E bem verdade, que as obras nem sempre estavam de acordo semelhantes monstruosidades dos chamados liberais de Manchester: não se pode contudo negar que para elas com passo certeiro e constante o regime econômico e social. Por isso não é para admirar que estas opiniões errôneas e estes postulados falsos fossem energicamente impugnados, e não só por aqueles a quem privam do direito natural de adquirir melhor fortuna.” — Carta Encíclica Quadragésimo Anno, redigida pelo Papa Pio XI.

FONTE: https://w2.vatican.va/content/pius-xi/pt/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19310515_quadragesimo-anno.html

“Mas, para mais facilmente se compreender como é que puderam conseguir que tantos operários tenham abraçado, sem o menor exame, os seus sofismas, será conveniente recordar que os mesmos operários, em virtude dos princípios do liberalismo econômico, tinham sido lamentavelmente reduzidos ao abandono da religião e da moral cristã. Muitas vezes o trabalho por turnos impediu até que eles observassem os mais graves deveres religiosos dos dias festivos; não houve o cuidado de construir igrejas nas proximidades das fábricas, nem de facilitar a missão do sacerdote; antes pelo contrário, em vez de se lhes pôr embargo, cada dia mais e mais se foram favorecendo as manobras do chamado laicismo. Aí estão, agora, os frutos amargosíssimos dos erros que preanunciado. E assim, por que nos havemos de admirar, ao vermos que tantos povos, largamente descristianizados, vão sendo já pavorosamente inundados e quase submergidos pela vaga comunista?” — Carta Encíclica Divinis Redemptoris, redigida pelo Papa Pio XI e comprovando que foi a farra do livre mercado que pariu o comunismo.

FONTE: http://w2.vatican.va/content/pius-xi/pt/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19370319_divini-redemptoris.html

Eis então que os libertários pseudo-católicos bradarão: “Para trás, inditoso esquerdista! O papado foi tomado por soças desde o concílio Vaticano II, como ainda dizem respeito a questões morais. Deste modo, segundo o dogma da infalibilidade papal, proclamado no Vaticano I, o obrigatório a qualquer Católico Romano é calar-se e acatar-se, sob pena de excomunhão. Declarações ex cathedra são inquestionáveis, conforme expõe o documento abaixo:

“O Romano Pontífice, quando fala “ex cathedra”, isto é, quando no exercício de seu ofício de pastor e mestre de todos os cristãos, em virtude de sua suprema autoridade apostólica, define uma doutrina de fé ou costumes que deve ser sustentada por toda a igreja, possui, pela assistência divina que lhe foi prometida no bem-aventurado Pedro, aquela infalibilidade da qual o divino Redentor quis que gozasse a sua igreja na definição da doutrina de fé e costumes. Por isto, distas definições do Romano Pontífice são em si mesmas, e não pelo consentimento da Igreja, irreformáveis. — Constituição Dogmática Bula Pastor Aeternus, Promulgada durante o Concílio do Vaticano I e datada de 18/04/1870.

FONTE: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/i-vatican-council/index_po.htm

Além disso, a própria Sagrada Tradição, tanto da Igreja Ortodoxa quanto da Igreja de Roma, condenam veementemente o individualismo exacerbado e a usura. Deste modo, quem quiser questionar toda essa estrutura, que vire protestante. Agora, quando forem brincar de Sola Scriptura, que expliquem então Mateus 22:21, Lucas 18:24–25, Marcos 10:17–22, Lucas 12:16–21, João 2:13–22 e Mateus 21:12.

A Igreja Ortodoxa também se posiciona condena os senhores: https://mospat.ru/en/documents/social-concepts/

Se você leu até aqui, seja anátema quem se declara cristão e libertário.

Ou você é católico, ou libertário, cruzado Rothbardiano não dá!

Na imagem: Cristo expulsando os mercadores do Templo.

 

Texto publicado originalmente no Medium do autor.

Alain Soral – Feminismo, uma ideologia a serviço do sistema?

por Alain Soral

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Você precisa diferenciar claramente o feminismo, da mulher e da feminilidade. Feminismo é um movimento político que, da mesma forma que o modelo marxista, proclama que a história é uma luta de classes, aqui proclama que a história é uma guerra dos sexos e que, de fato, a função da história seria libertar… as mulheres da opressão que elas estão sujeitas pelos homens. Então é uma visão de mundo, que eu chamo de comunitarismo vitimista, com um aspecto monodeterminista, que quer dizer “as mulheres são alienadas pelos homens e tem de se libertar da opressão masculina”, esta é a primeira definição do que seria feminismo.

Elas manipulam as reivindicações feministas, algumas são frequentemente legítimas, de libertar a mulher, para a realidade, torná-las servas da sociedade de mercado e assalariada, que são a mesma coisa, já que você precisa de salário para consumir. Então, de fato, as exigências feministas por emancipação costumam transformá-las em assalariadas, torná-las trabalhadoras assalariadas e consumidoras. É um processo em duas etapas. E… isso se iniciou nos EUA, com o que se chama de “teoria da nova mulher”, que consiste em tirar a mulher de casa, uma função não-mercantil, sem poder de compra direto, e então lhes fazer sentir culpa e ao mesmo tempo… forçar sua consciência a pensar que ser dona de casa, esposa é uma alienação, um sofrimento, uma forma de humilhação, e por fim, fazê-las mudar da esfera de influência do marido para a do patrão, o que é um pouco ambíguo. E no fim das contas, você percebe que as mulheres terminam, graças a luta feminista, por sofrer uma “dupla alienação” que é a de suportar o marido e o patrão. É o que alguns chamam de jornada dupla: ser mãe, esposa e trabalhadora assalariada.

O que com frequência, especialmente na classe popular, agravou sua situação cotidiana, não melhorou. E isso nos traz para outra análise, que é a de que, finalmente, o feminismo não transcende a luta de classes, porque, na verdade, o foco da emancipação feminista frequentemente tem sido os interesses das mulheres da burguesia que raramente o identificam como tal. Na verdade, 3/4 da militantes feministas são burguesas, que tentam se emancipar de seus papéis de mãe de família, esposa, seu status de dependente para ir à sociedade civil, que é… que para elas é um avanço, já que significa ter profissões interessantes. Elas podem ser advogadas, pesquisadoras, ter uma livraria, etc.

Ao passo que para as mulheres de classe popular, não é apenas cuidar da casa e das crianças, mas acima disso, ser uma trabalhadora de produção. E o que é bem interessante é que para a classe popular, a emancipação, pelo contrário, seria escapar dos constrangimentos da produção e do sistema assalariado. Tornar-se uma mulher sustentada ou dona de casa, que é um luxo, é… é uma aspiração das mulheres da classe trabalhadora, escapar do imperativo de produção, do trabalho, enquanto que para a burguesia é escapar do tédio, o tédio de casa, da mulher burguesa, para ter acesso uma vida social mais interessante, profissões mais interessantes, o que significa que há uma oposição, em termos de classe, entre as ambições da mulher burguesa, em termos de emancipação, e ambições da mulher da classe trabalhadora. O feminismo raramente identifica essa contradição, e é fácil ver que a maioria das líderes feministas são mulheres da burguesia, corresponde a sensibilidade da esquerda burguesa.

Então, este é o trabalho que eu tenho feito que eu considero contestável, mas que foi criticado demais, geralmente sem… presumindo minhas as minhas intenções. Machismo, desdenho por mulheres, etc.

É possível que uma mulher seja uma trabalhadora assalariada desde que alguém tome conta das suas crianças pequenas, com frequência, o que nós esquecemos é que por trás das mulheres feministas libertas, existe uma outra mulher, que sofre uma dupla alienação, a empregada, por exemplo. Ou a babá que cuida da criança burguesa emancipada e de seus próprios filhos, então na verdade a emancipação feminina com frequência acontece às custas de outras mulheres que sofrem dupla alienação. Porque enfrentam todos os problemas ao mesmo tempo: dar a luz, criar seus garotinhos e trabalhar também, isto é… multiplicam o tempo de trabalho, mas os dias não se esticam, e as mulheres não possuem mais ubiquidade do que os homens. Então como você dá conta das suas crianças quando tem que trabalhar 8 horas por dia? Essa é a questão.

Agora algumas mulheres podem pagar por uma babá e ir trabalhar, o que significa que elas tem de ganhar mais do que a babá, mas para as mulheres da classe trabalhadora, uma babá poderia lhes custar mais do que elas mesmas conseguem ganhar. Então esta não é uma escolha livre. É uma questão de classe social. E frequentemente acaba em, ao menos na classe popular, jornada dupla. Porque hoje, realmente, o “direito” ao trabalho é um embuste. É uma obrigação trabalhar. Praticamente nenhum casal, hoje em dia, consegue se manter só com um salário na classe trabalhadora(o que demonstra uma regressão social por sinal). Você necessita, nas famílias da classe trabalhadora ou pobres de colarinho branco, dois salários para que a casa sobreviva. Você precisa de dois. Então se ela deixa de trabalhar, atualmente é um luxo para a classe trabalhadora. Ela tem que trabalhar.

Então o que o feminismo considera fruto de sua luta, o direito assalariado, é, na verdade uma obrigação… é uma obrigação que e é o que deseja o sistema mercantil… já que esse mercado em eterno crescimento, tem interesse em expandir o assalariamento e o poder de compra. A capacidade de consumir. Então, realmente, o que as feministas consideram o fruto de sua luta foi na verdade a vontade oculta da sociedade de mercado: “colocar as mulheres no mercado assalariado e consumidor.”. Por isto que as feministas, que sempre foram poucas, são sempre mimadas pela mídia e pelo poder, diferente das lutas sociais unissex. Porque, na verdade, elas sem saber estão agindo nas mãos da sociedade de mercado e da sociedade de consumo. E é por isso que eu digo que as feministas, em retrospectiva, aparecem finalmente como… sendo umas idiotas úteis da sociedade de mercado, da sociedade de consumo e da sociedade assalariada, em geral.

Onde quer que o feminismo ascenda, geralmente as lutas de classe e a consciência de classe regridem. e, por isto, o feminismo é um tanto ambíguo. Quanto mais burguesa, liberal e “boba” uma sociedade se torna, maior disparidade entre ricos e pobres se alcança, mais feministas você verá e mais poder lhes será dado. É uma observação consistente então.

Eu creio que infelizmente as feministas desempenham um papel de idiotas úteis ou ainda pior nesta questão. Eu tenho grande respeito por todas as mulheres, que declaram que não serão jamais feministas, Marguerite Yourcenar ridicularizou as feministas porque ela viu o “Ardil-22”.

Mulheres de inteligência superior, que são conscientes de seu ser e que desejam lutar por sua liberdade, sempre denunciaram as mentiras, a ingenuidade, a estupidez do combate estritamente feminista. E mesmo ícones feministas como a Sra. Halimi, que escreveu um livro, não faz tanto tempo, onde basicamente admite… que ela queria irritar seu pai e é basicamente uma questão edípica burguesa. Geralmente o feminismo é apenas um acerto de contas edípico burguês, o exemplo mais flagrante seria Simone de Beavouir. Simone de Beavouir é a prova de que o feminismo é uma merda, integralmente. A relação dela com sua família, com Sartre, com a esquerda, com os homens, é de uma ingenuidade que é apenas igualada… enfim, é mesquinho, malicioso e desonesto. E eu gostaria que as pessoas interessadas nessa questão tenham a honestidade de analisar, retrospectivamente, o que Simone Beavouir representa… quando concerne a produção filosófica, seu comprometimento político, sua, como diria, ambiguidade de socialite. Esta longe de ser brilhante, eu prefiro pensar em Louise Michel.

 

Transcrição – Raphael Mirko, texto publicado originalmente no blog: conservadoresantiliberais.blogspot.com