Gramsci sobre Chesterton

Tradução: Raphael Mirko.

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Querida Tania,

A visita de Charles me agradou. Ele disse que você se recuperou bem, mas eu gostaria de ter notícias mais precisas sobre a sua saúde. Obrigado por tudo que você me enviou. Eles não me deram os dois livros ainda: a bibliografia fascista e as histórias de Chesterton que vou ler com entusiasmo por duas razões. Primeiro de tudo, porque acho que eles serão tão interessantes quanto a primeira série e também porque tentarei imaginar a impressão que eles devem ter causado em você. Confesso que vou encontrar um prazer extremo nisso. Recordo com precisão seu estado de espírito ao ler a primeira série: você ficou feliz em receber as impressões mais imediatas e menos complicadas. Por outro lado, você não percebeu que Chesterton escreveu uma bela caricatura dos próprios romances policiais. O Padre Brown é um católico que zomba da maneira mecânica de pensar dos protestantes e o livro é essencialmente um pedido de desculpas pela Igreja Romana versus a Igreja Anglicana. Sherlock Holmes é o policial protestante que descobre falando de fora, com base na ciência, no método experimental, na indução. O padre Brown é o padre católico que, através das refinadas experiências psicológicas proporcionadas pela confissão e pelas obras de casuística dos padres, ainda sem esquecer a ciência e a experiência, mas confiando acima de tudo na dedução e introspecção , derrota claramente Sherlock Holmes, fazendo-o parecer um garotinho pretensioso, mostrando toda a sua estreiteza e maldade. Por outro lado, Chesterton é um grande artista, enquanto Conan Doyle era um escritor medíocre, apesar de ter sido nomeado baronete por seus méritos literários; há em Chesterton uma distinção a ser feita entre conteúdo, intriga policial e forma, e também no assunto encontramos uma sutil ironia que torna as histórias mais deliciosas. O que você acha? Lembro-me de que você leu essas histórias como se fossem eventos reais e que você as fez a ponto de expressar sua admiração pelo padre Brown e sua maravilhosa iguaria com uma ingenuidade que me divertiu muito. Não se ofenda com isso, porque, para meu prazer, havia um ponto de inveja por sua capacidade de receber impressões novas e puras.


Eu te beijo… com amor.

Antonio.

[Antonio Gramsci. Cartas da prisão.]

 

Alain de Benoist – O exemplo dos coletes amarelos

por Alain de Benoist

Pergunta feita antes para Alain de Benoist “O senhor poderia descrever as especificidades do movimento dos coletes amarelos? Especialmente em comparação com outros protestos importantes na França nos anos recentes, como os protestos contra a lei El Khomri em 2016 ou “La Manif pour tour (contra o casamento gay) em 2013?”

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Creio que estas comparações são completamente falsas, assim como as comparações com fevereiro de 34, maio de 68, ou outros acontecimentos. O movimento dos coletes amarelos não é comparável a nenhum acontecimento das décadas recentes.Se quiséssemos encontrar movimentos similares, teríamos que ir direto ao século XIX e após a revolução de 1848, ou até mesmo a Comuna de Paris de 1871. A especificidade do movimento dos coletes amarelo é, primeiro, que se trata de um movimento perfeitamente auto-organizado que nasceu com a fantástica ideia de usar coletes amarelos como um símbolo de levante para as próprias pessoas, além de todas as preocupações de esquerda ou direita, além dos sindicatos e partidos políticos. Usando uma expressão de Vincent Coussedière, se não me engano, é “o populismo do povo”. Não é o populismo de um partido populista, é o populismo do povo. Isto é, o povo não quer mais ser excluído, explorado, pagar impostos abusivos, humilhado e ignorado de toda forma imaginável, quer deixar claro que ele existe.

A luta contra as reformas dos combustíveis foi o estopim, como vimos, o protesto contra os impostos se transformaram numa revolta social que por sua vez virou uma revolta política, e o slogan “Macron, renuncie!“.

O movimento é interessante nesse sentido, precisamente porque não possui líder. Há pessoas que dizem “sim, não há líder, não há interlocutor, nem representante”, mas é justamente esse o fato que dá força ao movimento, o que o permite ser constituído pela base social, com representantes que só recebem uma autoridade temporária. Essa é a verdadeira democracia direta.

Estou chocado, antes de tudo, pela energia desse movimento, pelo apoio quase unânime da população, pela sua continuidade (alguns diziam que desapareceria rapidamente, mas estavam errados), a incrível determinação das pessoas que estiveram lá, os homens, sim, mas também as mulheres que foram tão numerosas, se não mais que os homens. Vimos na televisão esses momentos inesperados, impensáveis há pouco tempo atrás: mulheres de dezessete anos que dormiam enroladas em cobertores dentro dos carros à noite, para que os protestos não perdessem força, a solidariedade das pessoas que foram lhes dar apoio, estamos vendo um movimento que é tanto admirável quanto formidável.

Precisamos então perguntar: o que acontece depois, o que vai acontecer agora? Diria que esse movimento obviamente acabará em algum momento, não tem como ir pra Paris todo sábado durante 10 anos. Porém, a causa permanece, o que produziu esse movimento primeiramente permanece, e assim continuará. Nada mais será como antes: agora só há o que aconteceu depois dos coletes amarelos.

Macron foi deixado com pouquíssimo espaço de manobra, sua posição é extremamente perigosa e difícil, pois ele vem seguindo as regulações da União Europeia, que prescrevem medidas de austeridade, e toda vez que ele impõe uma tal medida, a indignação aumenta e ele é forçado a voltar atrás, e como resultado, ele vem ficando cada vez mais isolado no plano europeu, mais e mais. E agora está também isolado em nível internacional. A sua popularidade foi lá pra baixo. Será bem difícil para ele governar agora. Nesse sentido, considero que os coletes amarelos já venceram, pois fez ceder um governo que se via como Júpiter e que declarava que não cederia.

Inicialmente, você citou o Manif pour tous, que é um perfeito contra-exemplo,  pois o Manif pour tous também reuniu grandes multidões: havia, creio eu, quase um milhão de pessoas, e tudo isso pra quê? Pra nada. Os manifestantes saíram de mãos abanando, o governo não cedeu, pois os manifestantes eram pacíficos e dóceis.

Já o disse muitas vezes: a revolução não será feita pelos bem-educados. Ao mesmo tempo, os coletes amarelos também demonstraram grande maturidade, pois não confundo o seu uso da força com os atos de violência e depredação de saqueadores e bandidos que não tinham nada a ver com eles. Mostraram grande maturidade. Também fui surpreendido pela forma que apresentaram suas reivindicações na TV e rádio, com firmeza exemplar sem sequer parecerem nervosos, sem cair nas armadilhas que os jornalistas usam nas entrevistas. Portanto, mais uma vez, deram um bom exemplo.

Transcrição e revisão: Raphael Mirko

Como o distributismo pode explicar a crise do governo Dilma: Dados e conclusão.

Para ler a Parte 3, favor clicar aqui.

Alguns dados para efeito comparativo.

É de suma importância comparar alguns dados para avaliar os passos do governo, desde o seu primeiro dia de mandato até o último, já que a maior parte das críticas ao programa econômico da Dilma Rousseff vinculadas nos meios tradicionais derivam-se do caráter ‘faltou usura’, quando na verdade podemos constatar que o que levou a crise ao Palácio do Planalto foi a usura desenfreada.

Antes dos números é importante apontar o abismo ocorrido entre política fiscal e política monetária, não houve correlação alguma entre as políticas praticadas pelo Banco Central e as políticas praticadas pelo Ministério da Fazenda, uma vez que o ajuste fiscal não obteve êxito no congresso, sendo assim, a expansão de gastos públicos continuaram, mas com os juros altos, o que acarretou uma inflação no médio prazo e o aumento da dívida pública no longo prazo, tudo isso sendo financiado com juros extorsivos.

Num determinado momento do segundo governo Dilma Rousseff, tivemos juros altos, desemprego e uma inflação crescente, essas três combinações num só momento.

Dilma assume o governo com a taxa básica de juros em 10,75%. Dilma Rousseff deixou o governo com a taxa básica de juros em 14,25%[1].

Juro que é o preço do dinheiro, subiu, então o dinheiro encareceu, sendo assim quem detém mais capital, os mais abastados da sociedade acabam se benefiando disso, ao passo que é mais benéfico deixar o dinheiro rendendo numa aplicação desejável com riscos inibidos do que se aventurar no capital produtivo com uma economia em marcha lenta. Ou seja, aquele que não tem capital, mas quer se aventurar no capital produtivo, acaba tendo que tomar empréstimos a juros maiores do que quando a presidente assumiu em janeiro de 2011.

O dólar cotava-se R$1,65 no dia que Dilma Rousseff tomava posse como presidente da república[2] O dólar fechou R$3,23 no dia do afastamento, dia 31 de agosto de 2016, tendo chegado a R$4,15 em janeiro do mesmo ano[3].

Desde o primeiro dia que Dilma Rousseff tomou posse até o seu último dia enquanto Presidente do República, a moeda teve uma desvalorização brutal, vamos aos exemplos: o salário mínimo quando Dilma tomou posse era de R$ 540,00 com o dólar a R$ 1,65, isso resultaria em um salário mínimo de US$ 327,27. Quando deixou o governo o salário mínimo era de R$ 880,00 com o dólar a R$ 3,23, isso resultaria em um salário mínimo de US$ 272,44. Durante o segundo mandato o salário mínimo passou por US$ 212,04[4].

A Inflação de 2010, ano anterior a posse de Dilma Rousseff foi de 5,91%[5]. Inflação do primeiro ano do governo Dilma já empossada, em 2011, foi de 6,50%[6]. A Inflação acumulada dos últimos doze meses em relação a agosto de 2016, quando Dilma Rousseff deixa a Presidência da República foi de 8,97%[7].

Saímos  da meta de inflação, o que significa que estivemos no mínimo num sinal de alerta, diante desse quadro de emergente inflação que é a alta generalizada dos preços, somando-se com a perda do poder de compra do salário mínimo e a alta nos juros visando conter a inflação, tivemos o cenário perfeito para a caracterização de usura.

Com os gastos públicos desajustados, com os juros elevados, estivemos num cenário de aumento da dívida bruta. A dívida bruta do governo geral brasileiro em janeiro de 2011 era de 52,4%. A dívida bruta em agosto de 2016 é de 69,3% em relação ao PIB[8].

Houve uma alta na taxa básica de juros e uma alta na dívida pública geral, somando as duas circunstâncias temos automaticamente o aumento da usura, ocorrendo uma migração do capital produtivo para o capital especulativo, desvalorizando quem produz e trabalha em benefício daquele que parasita e especula, indo completamente contra os princípios cristãos da doutrina do preço justo, como diz os versos do poeta Ezra Pound “com usura nenhum homem tem um paraíso pintado na parede de sua igreja[9].

Claro que seria um injustiça tremenda caracterizar somente o governo de Dilma Rousseff como usurário, todos os governos inseridos na lógica liberal são usurários em maior ou menor escala, mas este trabalho visa compreender justamente a última grande crise econômica e política do Brasil que por ventura ocorreu durante do segundo mandato de Dilma Rousseff.

4- Conclusão:

O que poderia evitar o trágico desfecho que levou a economia brasileira a atual situação? O retorno à sabedoria escolástica e pré-moderna da doutrina do preço justo. As taxas de lucros, as taxas de salários, as taxas de câmbio, de inflação e juros devem estar posicionadas de modo compatível com o bem de todo o tecido social. Os preços de mercado não são capazes de fazer isso por si só, isto demanda uma ação técnica do governo em ordem de equilibrar de modo compatível com a economia de mercado as condições básicas para o crescimento da economia. Como Christopher Ferrara (2010, p.141) relembra, a visão católica do preço justo vai na contra-mão dos modelos usurários: “In sum, the Catholic “social estimate” of the just price was not some free-floating, subjectively determined “market price” or negotiated spot price in the modern sense”.  O preço justo deveria observar, segundo Ferrara (2010, p.143), outras questões: “the ability and capacity of the producers, and the poverty of the region where the good is produced[…]”.

Qual o preço justo do salário? O que permite às famílias viverem bem dentro da melhor situação que aquela economia oferece sem prejuízos às empresas locais e de modo que o todo (bem comum) seja beneficiado ao longo do tempo, como demonstrado tanto na Quadragésimo Anno de Pio XI e no Compêndio de Doutrina Social da Igreja. O que escapa a isso, como o ganho salarial injusto, ou o ganho de lucro injusto, ou o ganho de dividendos injustos, ou ainda o rentismo que nada mais é que o ganho injusto de renda com base em especulação (pump and dump[10]).

Enfim, tudo isso nada mais é que um conjunto de falhas graves contra a justiça distributiva e, portanto contra o bem comum. E esse é o fruto pernicioso da usura.

Se você não leu a parte 1, clique aqui.

Referências bibliográficas:

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FERRARI, Hamilton. Correio Braziliense: Prévia da inflação registra o índice mais baixo desde o Plano Real. Em 23/01/2019.

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Notas de rodapé:

[1] Cf. Banco Central do Brasil. Taxas de juros básicas – Histórico. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/historicotaxasjuros?fbclid=IwAR1_TkLI7RTYjN8XfVJ7VA9U4Oztfxu3gMrp_EWxPQfG2010giaU3Tde1FI> acessado em: 09/03/2019.

[2] Ideal Softwares. Índices Econômicos – Dólar Comercial 2011. Disponível em: <http://www.idealsoftwares.com.br/indices/dolar2011.html?fbclid=IwAR0DNrrUOzmBHu-7–UktVbu8rQH3z06tpezSl3kLGsshsO70lz8m-kQrqk> acessado em: 09/03/2019.

[3] Ideal Softwares. Índices Econômicos – Dólar Comercial 2016. Disponível em: <http://www.idealsoftwares.com.br/indices/dolar2016.html?fbclid=IwAR2ouu7g-onYqqIMCUmbsWuVBbUoh3pvBEEELN20XHWPsnS3438olMQNkoA> acessado em: 09/03/2019.

[4] Salário Mínimo – Tabela histórica dos valores do Salário Mínimo. Disponível em: <https://www.salariominimo.net/salario-minimo/?fbclid=IwAR3os3-ft8X1nwughY0eo8NZU6X1Xz-y1ShItD0zYE3ZkvH5ES1E5lnHIPo> acessado em: 09/03/2019.

[5] Estadão. Inflação oficial fecha 2010 com alta de 5,91%, maior nível em 6 anos. Disponível em <https://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,inflacao-oficial-fecha-2010-com-alta-de-5-91-maior-nivel-em-6-anos,50084e?fbclid=IwAR2SvmpmFQKG6amIrx5Y3rrbbhGN7C7QmfS-FRburMzluBVJDVz1-8mlpbo> acessado em: 09/03/2019.

[6] G1. Inflação fecha 2011 em 6,50%, no teto da meta do BC. Disponível em <http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/01/inflacao-fecha-2011-em-650-no-teto-da-meta-do-bc.html?fbclid=IwAR2VXg3bu71S5VrqFqmGLXUiWrJJF7v3nxuD7GwJ8L0CRGnlJCOegmLUMNI> acessado em 09/03/2019.

[7] ADVFN News. IPCA em Agosto de 2016: inflação acumula alta de 8,97% nos últimos doze meses. Disponível em <http://br.advfn.com/jornal/2016/09/ipca-em-agosto-de-2016-inflacao-acumula-alta-de-8-97-nos-ultimos-doze-meses?fbclid=IwAR28MiiGvCLU1d1aFyAYGX4ep0EvR1sIOiAE_YdWxVHVBnUGPtAA7-1dAPk> acessado em 09/03/2019

[8] Banco Central do Brasil. Série histórica da Dívida líquida e bruta do governo geral (metodologia vigente a partir de 2008). Disponível em <https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/legado?url=https:%2F%2Fwww.bcb.gov.br%2Fhtms%2Finfecon%2FseriehistDLSPBruta2008.asp&fbclid=IwAR1qNh-Q86kXKtwnRu9BPETEXX8-vEc9gKNbDoOa_wMzkphhP2mvmXtcKVk> acessado 10/03/2019

[9] POUND, Ezra. Legio Victrix: Com Usura (canto XLV). Disponível em <https://legio-victrix.blogspot.com/2010/12/canto-xlv-with-usura.html> acessado em 10/03/2019

[10] Pump and dump é uma gíria do mercado financeiro para se referir a um player do mercado que compra uma ação desvalorizada em grandes quantidades para inflar seu preço (pump/bombear) e depois vender esse estoque na alta para tirar grandes lucros às custas de playeres menores, desvalorizando a ação (dump/deixar cair).

Sobre os cortes e a Reforma da Previdência

por Raphael Mirko

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Mais uma vez me vejo obrigado a palpitar sobre o que está ocorrendo na nação brasileira:

Como todos sabem sou defensor de uma autocracia autárquica centralizada, mas ao mesmo tempo é necessário ter a ciência de que a chance de isso ocorrer agora é igual a zero, portanto vamos para a prática. Um modelo econômico que tem me atraído bastante é o da Bolívia, por conta do seu alto crescimento com uma média superior aos 5% há mais de cinco anos (mais que os Estados Unidos), e com responsabilidade fiscal, engana-se quem pensa que o Estado boliviano é um Estado gastador, talvez os ‘Eduardos Moreiras’ da vida deveriam parar de tentar lacrar a todo instante na economia, sentar numa cadeira e debruçar-se sobre a situação fiscal do Brasil, deixando o argumento de autoridade de lado, como por exemplo o de que foi eleito um dos três melhores economistas do Brasil, até porque foi considerado por uma revista que meia dúzia pessoas leem, então esse argumento de autoridade não deveria funcionar, segundo que essa imagem de “ex banqueiro bonzinho” também não cola, o objetivo dele é ser viabilizado politicamente. Acontece que o governo federal vem fazendo uma série de cortes em várias áreas, as principais são as áreas da educação que foram R$7,4 bi e R$5,8 bi nas forças de defesa (para citar apenas as que caíram na mídia), importante lembrar que não são cortes definitivos, são contingenciamentos, ou seja, esse dinheiro poderá voltar para essas áreas assim que o orçamento for colocado dentro do teto de gastos.

Por que o Bolsonaro está cortando das forças de defesa da nação, sendo que foi um dos pilares que o ajudou a ser eleito? Você é ingênuo assim mesmo a ponto de achar que de fato ele está cortando despesas da educação superior por conta da maconha do playboy no campus e a sodomia generalizada? Eu acredito que você lacrador seja ingênuo sim a esse ponto e está se achando o perseguido político apenas por ‘dar uns tragos’, mas vamos lá, essa é a retórica que o governo usa para convencer a massa acéfala de apoiadores e ao mesmo tempo causar indignação no homem-bovino (isso ele sabe fazer muito bem), mas a verdade é que existe um teto de gastos para o déficit primário que seria de R$139 bi proposto pela Lei de Diretrizes Orçamentárias e para passar desse limite seria necessário uma aprovação do congresso, caso contrário o presidente poderia ser enquadrado na lei de responsabilidade fiscal, podendo gerar um pedido de impeachment já no primeiro ano de governo. E para evitar isso o governo está cortando de todas as áreas. E o mesmo projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias autoriza um déficit de R$110 bi para 2020, ou seja, o déficit imposto é menor que o deste ano e ao que tudo indica a situação fiscal em 2020 será pior, então se preparem para mais cortes em diversas áreas, se querem aliviar tudo isso, roguem pela reforma da previdência, um Estado só pode se desenvolver com dinheiro em caixa, antes de compartilhar notícia amalucada de que a Alemanha está investindo 160 bilhões de euros entre o período de 2021 a 2030, lembre-se de como é a previdência lá, lembre-se também da produtividade do trabalhador alemão e não esqueça que a carga tributária sobre a renda lá é a segunda maior do mundo e mesmo assim em proporção INVESTIMENTO x PIB, o Brasil investe mais em educação que a Alemanha. Não adianta ter a produtividade igual a de um iraquiano, impostos inferiores aos de Suécia, Alemanha e Reino Unido e querer ter um estado de bem-estar social igual ao dos escandinavos, não vai acontecer, primeiro vai ter que enriquecer, depois poupar e só por último gastar.

Qualquer um que se intitule nacionalista e diga que não há déficit na previdência, ou é débil mental ou simplesmente não é nacionalista, qualquer desenvolvimento nacional precisa de dinheiro.

De início era contra os cortes na educação, mas depois que vi doutores se pronunciando sobre isso sem saber fazer razoavelmente as quatro operações básicas, já que o sujeito é ao mesmo tempo contra a reforma da previdência e contra os cortes e não aponta outra saída para termos recursos (é matematicamente impossível manter os gastos sem que tenha a reforma), isso só deixou claro que a dinheirama investida em educação nos últimos anos não trouxe tanto retorno prático assim.

A verdade é que necessitamos urgentemente da reforma previdenciária, se é essa ou outra podemos discutir numa outra oportunidade, mas que precisamos, precisamos!

REFERÊNCIAS: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-41753995

https://www.gazetadopovo.com.br/politica/republica/os-r-250-bilhoes-que-deixam-bolsonaro-nas-maos-do-congresso-88gfr5vs0fmclqiipbfmttgp8/?fbclid=IwAR3Cp_vSbn3JPWnFn_rgl3zkHg4pINUsZtrWYuuPlspj52Wc-sET8qz6Uzs

https://g1.globo.com/economia/noticia/governo-propoe-manter-meta-de-rombo-de-r-139-bi-em-2019-e-ve-alta-de-3-no-pib.ghtml

https://g1.globo.com/educacao/noticia/2019/05/08/alemanha-anuncia-160-bilhoes-de-euros-para-universidades-e-pesquisa.ghtml

https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/impostos/noticia/4859544/paises-com-maior-imposto-renda-mundo

https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/percentual-do-pib-brasileiro-dedicado-educacao-maior-do-que-em-paises-desenvolvidos-22858629

Raphael Mirko – Observações acerca das mercadorias fictícias – uma visão de Karl Polanyi

por Raphael Mirko

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Primeiramente Polanyi busca traduzir os sistemas econômicos e as sociedades em épocas distintas, como por exemplo: o feudalismo, o mercantilismo e o capitalismo contemporâneo.

Polanyi escreve sobre isso em 1944, no seu livro “A Grande Transformação As origens da nossa época”. Ou seja Polanyi viu e provavelmente estudou sobre a grande crise de 1929, apesar dele não demonstrar explicitamente no livro, ele esboça com clareza os problemas de um mercado “autorregulado” que desaguou na crise de 1929. Então Karl Polanyi descreve que nas sociedades mais antigas, o mercado era um mero acessório de vida e não a atividade principal, basicamente porque nestes sistemas anteriores ao capitalismo, a terra não era uma mercadoria fictícia, ela era um capital, produto de “investimento” e não de especulação, no caso do feudalismo, e no mercantilismo a terra também não detinha um caráter especulativo, apesar da estrutura comercial que estava por emergir. Assim como a moeda se torna uma mercadoria fictícia no capitalismo moderno, quando anteriormente ela cumpria apenas a função de instrumento de troca e poder de compra de um produto, produto esse que não era produzido em escala, produto esse que era produzido artesanalmente, no caso do feudalismo, portanto o comprador esperava pela mercadoria e não o contrário, então a flutuação de preços era quase inexistente nesses casos, uma crise de superprodução era impossível. Esses “problemas” passaram a surgir somente com o advento da Revolução Industrial.

Com a Revolução Industrial passamos a ter a produção em escala, passamos a ter a lógica de que o trabalho também é uma mercadoria, ou seja, também passamos a ter a ideia da lei de oferta e demanda, vamos aos exemplos:

Quando um homem sentia a necessidade de comprar um novo par de sapatos durante a idade média, ele teria de ir até o sapateiro, encomendar o seu produto para que ele fosse feito manualmente.
Na sociedade de mercado, após a revolução industrial, os pares de sapatos passaram a ser produzidos em escala, não mais o cliente esperava pela mercadoria, a mercadoria esperava pelo cliente. Com isso, quando havia uma superprodução, havia logicamente uma queda generalizada nos preços de sapatos e quando havia uma grande procura pelos pares de sapatos, ou seja, mais pessoas querendo comprar pares de sapatos que estariam sendo vendidos no mercado, o preço dos pares de sapatos tenderiam a subir. Com isso, o risco para os donos dos meios de produção dentro de uma sociedade de mercado, eram drasticamente maiores e mais instáveis.

Para Karl Polanyi o liberalismo é completamente desconectado da natureza do homem, já que tudo é transformado em mercadoria, quando me refiro a “mercadoria”, quero dizer algo que existe para ser vendido, desde a mão-de-obra do trabalhador, o que poderia originar um caos, devido a sua insatisfação, passando pela mercadoria fictícia da terra e da moeda.
“Despojados da cobertura protetora das instituições culturais, os seres humanos sucumbiriam sob os efeitos do abandono social; morreriam vítimas de um agudo transtorno social, através do vício, da perversão, do crime e da fome.”¹

Mas qual o problema de tudo ser transformado em mercadoria fictícia? O problema é que quando algo se transforma em mercadoria, ela deixa de ser um direito, porque todos passam a interpretá-la como um meio direto ou indireto para o lucro.

Polanyi também era um crítico da extrema exploração ecológica, alertando para a possível revolta que a natureza poderia ter contra o homem que a explora visando o lucro desenfreado.
“A natureza seria reduzida a seus elementos mínimos, conspurcadas as paisagens e arredores, poluídos os rios, a segurança militar ameaçada e destruído o poder de produzir alimentos e matérias-primas.”²

Mas sem sombra de duvidas, deposito na conta da moeda o agente de mercadoria nefasta, uma vez que ela alimenta e se alimenta da especulação que acaba conduzindo à bolhas, bolhas que quando estouram, acabam desaguando no consumo, no crédito e no desemprego. Isso também ocorre com as bolhas imobiliárias que são cada vez mais comuns no ciclo doentio do capitalismo moderno que trabalha na lógica de “boom and bust”.

Polanyi ao longo de sua obra também alerta para as regulações de mercado que cresceram conforme foi expandindo a própria economia, quebrando o mito de “anarquia de mercado” que imbeciloides de gabinete defendem com unhas e dentes, jogando na lata do lixo toda a história econômica do capitalismo.

Parafraseando Perón, sem exatidão, não existe livre mercado, ou ele é controlado pelo Estado ou pela plutocracia.

REFERÊNCIAS
¹.pg 79 “A Grande Transformação As origens da nossa época”
².pg 79 “A Grande Transformação As origens da nossa época”

Criptomoedas e suas características – NANO – Raphael Mirko

por Raphael Mirko

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Nano é a antiga Raiblocks, é uma moeda com um proposta inovadora até mesmo no ramo das criptomoedas, já que é uma moeda que não depende de mineração, escalabilidade quase ilimitada, não inflacionária, sem taxas e com transação instantânea, estamos falando de uma moeda com características perfeitas para ser um meio de pagamento, afinal quando se utiliza moeda fiduciária para comprar alguma mercadoria, o pagamento é rápido e sem taxas, com a Nano também é assim.

Site https://nano.org

Não recomendamos nenhum tipo de investimento em nenhum ativo, tratamos apenas das características deles. 

Criptomoedas e suas características – Crypterium – Raphael Mirko

por Raphael Mirko

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O Token Crypterium foi lançado via ICO (Oferta Inicial de Criptomoeda), podemos afirmar que foi um ICO de sucesso, já que superaram a expectativa de arrecadação, ao todo foram arrecadados mais de US$51 milhões.

O projeto Crypterium vem com a ideia de ser um criptobanco com um aplicativo onde as pessoas poderão realizar pagamentos, transferências, armazenamento de criptomoedas, até o momento o aplicativo suporta Bitcoin, Ethereum, Litecoin e o próprio token Crypterium, também há a possibilidade de transação de moedas fiduciárias e conversão de moedas fiduciárias para criptomoedas e vice-versa.

O token Crypterium, cuja abreviação é CRPT é um token que se utiliza e foi feito na plataforma Ethereum, portanto pode ser armazenada na maior parte das carteiras que suportam Ethereum.

O aplicativo já encontra-se disponível para Android e iOS, para adquirir o token Crypterium, pode ser via corretoras que negociam o token, as corretoras são as seguintes: Liquid, Kucoin, CoinFalcon, Tidex, IDEX, HitBTC e DDEX.

 

 

 

Site Oficial do Token: https://crypterium.com

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